A Fortaleza da Mente

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por Daniel Castro

“Nenhum cerco ou ataque pode capturar essa citadela, ou forçar entrada em seu santuário.”

Quintus Curtius foi um historiador romano do primeiro século DC., cuja principal obra foi relativa a história do rei macedônio Alexandre Magno. Possivelmente foi o mesmo Quintus Curtius que foi senador romano nessa época. Leitores mais antigos de meu blog já devem ter esbarrado em alguma das traduções que fiz do autor George Thomas, que hoje adotou esse pseudônimo (Quintus Curtius), pelo qual daqui por diante me referirei a ele. Ou talvez alguns de vocês tenham acessado seu excelente site qcurtius.com pela barra lateral daqui. Pois bem.

O moderno Quintus Curtius foi um Marine do exército americano, e hoje atua como advogado. Meu primeiro contato com seus escritos foi através do site de interesses masculinos returnofkings.com (que não publica textos novos mas ainda está no ar) no qual Quintus publicava análises de eventos brasileiros, dentre outros temas. Tão boas eram as análises que cheguei a acreditar que ele era brasileiro também!

Algum tempo depois Quintus criou seu próprio site, supracitado, e passei a acompanhar e traduzi alguns de seus textos. Ele por sua vez gentilmente me mandou uma cópia de seus livros On Duties (tradução direta do latim do livro de Cícero sobre obrigações morais) e 37 Essays on Life, Wisdom, and Masculinity (37 Ensaios sobre a Vida, Sabedoria e Masculinidade).

Através de seu blog Quintus demonstra um vasto conhecimento histórico e sabedoria de vida, com seu conhecimento sobre os árabes particularmente destacado, algo raro no ocidente. Não que seu conhecimento da civilização ocidental seja menor, afinal ele traduziu diversas obras do latim para o inglês (outras de Cícero, Salústio et al.) e também conhece bem as idades medieval e moderna.

Seu livro 37 Essays começa com uma história sobre um patinador de gelo que ignora avisos de seu irmão sobre o perigo de andar em certos lugares. No fim das contas, eu concluí que a maioria (todos?) de nós precisa experimentar os perigos e os erros para nos convenvermos deles. Existem outras lições no conto, mas ele vale mais a pena se for lido e apreciado.

Passado o prefácio, chegamos aos ensaios, focando em diversos tipos de temas, desde como aprender línguas estrangeiras (lembrando que Quintus além de traduzir diretamente do latim para o inglês, também fala muito bem o português, além de árabe), e como falar e escrever bem, até como identificar amigos bons e falsos ou quando e como expressar nossas opiniões (algo que preciso até hoje melhorar). Também há várias pequenas biografias inspiradoras como a do resgaste dos restos mortais do almirante americano John Paul Jones (não, não é do músico da banda Led Zeppelin), enterrado na França num local até então incógnito, e que demandou um grande esforço para ser encontrado e repatriado. Esta e outras histórias demonstram o poder de homens decididos e obstinados (embora Melville tenha outro ponto de vista).

Pouco tempo após isso tive a oportunidade e o prazer de encontrá-lo pessoalmente pois ele veio visitar a cidade onde moro. Apesar de seu histórico militar, ele é bastante amigável, perguntou se eu preferia conversar em inglês ou português (preferi inglês, pois tenho poucas oportunidades de conversar nessa língua. Falamos sobre diversos tópicos como:

Personagens da esfera de interesses masculinos anglófona, como Roosh (dono do site supracitado Return of Kings), Matt Forney e G Manifesto (um proponente do estilo de vida playboy, que até então eu pensava ser fake). Quintus, mesmo qiando discordava de uma ou outra coisa desses autores, sempre elogiava e destacava o lado positivo de cada um.

Sobre filhos concordamos que é importante deixar um legado, algo do que nos orgulharmos. A nova geração precisa também, além de instrução, de um senso moral, e isso motiva todo o trabalho dele.

Sobre Shin Dong-hyuk (única pessoa a fugir de um campo de concentração norte coreano, seu depoimento a Blaine Harden virou o livro Fuga do Campo 14), pude perceber o quão forte a moral dr Quintus é ao chamá-lo de mentiroso (Shin voltou atrás em muitas partes de seu depoimento original), enquanto eu argumentei que nascer e viver toda sua vida num campo desses é algo além de nossa compreensão, o que ele considerou razoável. (Nessa hora ele chegou a se irritar um pouco inclusive, ficou nítido em outras partes da conversa que mentiras são talvez a única coisa que o tire do sério).

Sobre twitter e redes sociais (eu não uso, ele sim) ele falou que é um “megafone moderno” importante para chamarmos a atenção para algumas coisas. Hoje vejo que isso pode ser correto, mas para pessoas que tem problemas de produtividade e concentração ainda acho melhor evitar redes sociais. Para pessoas produtivas como ele e que queiram alcançar grandes audiências, de fato é algo válido.

Sobre caráter, é algo que urgentemente precisa ser cultivado, ao contrário da cultura de mero conhecimento que temos hoje.

Sobre propriedade intelectual foi nossa maior discordância. Eu não entendo que ideias sejam ou possam ser propriedade (conforme explicado por Stephan Kinsella), apesar de acreditar que os autores merecem receber pelos frutos de seu trabalho, enquanto ele tem a visão de direitos intelectuais são legítimos.

Sobre meu sotaque ele disse parecer com o de Schwarzennegger (tenho ascendência suíça e falo um pouquinho de alemão), o que achei engraçado. Ele me incentivou elogiando meu inglês, mesmo eu tendo travado em muitos pontos, principalmente quando tentava desenvolver argumentos mais elaborados.

Vou registrar também que já faz algum tempo que nossa conversa aconteceu, então infelizmente devo ter esquecido algo de importante, mas o maos importante, creio que mantive e serei sempre grato a Quintus por ter me dado a oportunidade de conversar com alguém tão culto e inteligente quanto ele.

E o mais importante, sobre moral, ela deve sempre ser mantida elevada.

Esse post foi publicado em Desenvolvimento pessoal, Filosofia, Livros. Bookmark o link permanente.

2 respostas para A Fortaleza da Mente

  1. Lucas disse:

    Salve! Admirável blog. Confiro-o às vezes e gosto dos temas. Saudações paulistas. Iniciei Moby Dick por influência sua. Estou construindo uma academia no meio da mato, com pesos de concreto e sucata. Desconheço academia clandestina. Prepare-mo-nos para este futuro ansioso. Muita fibra e culhões demandará. Identifico-me também com sua visão “libertária”.

    • Daniel Castro disse:

      Lucas, obrigado pelas palavras de apoio.

      Nesse momento temos de atuar com o que temos em mãos, eu estou praticando calistenia em casa mesmo, e sua iniciativa da academia própria é ótima.

      Em breve começarei uma série de pequenas resenhas de distopias, fique ligado. Mas achei engraçado você ter começado a ler Moby Dick por minha influência, eu considerei um livro muito difícil de ser lido e recomendaria centenas de outros antes dele.

      Daniel.

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