A Força NÃO se Importa

por Bill Kazmaier, publicado originalmente aqui.

revisão por Daniel Castro

[Imagem: maxresdefault.jpg]
 
Essa é uma analogia que faço com a força muscular, mas serve para qualquer âmbito da vida onde o objetivo é alcançar algo grandioso. A abordagem dos aspectos psicológicos e mentais é tão ou mais importante do que a parte prática e técnica, pois é a partir daí que se toma um norte rumo ao objetivo.

Para a maioria dos atletas sérios (me refiro a esportes individuais) o sentimento após uma competição é unânime: a necessidade de treinar cada vez mais e de achar formas de evoluir. Principalmente se não obteve a performance esperada na ultima ação. Estamos cientes de que em outras partes do país existem atletas melhores e mais fortes do que nós, que estão nesse momento dando o sangue nos treinamentos enquanto estamos aqui presos na inércia e perdendo tempo.

No intuito de ultrapassar os limites anteriores é preciso ter uma obstinação descomunal e estar focado totalmente na rotina dos treinamentos e de todos os fatores que influenciem no rendimento. A disciplina fala mais alto na hora de fazer as coisas acontecerem. É muito fácil estar todo motivadinho porque viu um video fodástico, e assim trabalhar o primeiro e o segundo dia da forma planejada, mas cagar com toda a rotina no resto do mês. Como já vi por aqui nos redutos da real: “Foda-se a motivação! O que você precisa é disciplina”. Ser dependente de qualquer coisa é uma fraqueza, e ser dependente de um estado interior específico pra começar a realizar um empreendimento é uma fraqueza muito maior. 
 
É muito fácil arrumar desculpas quando as coisas não saem como planejadas nos treinamentos. “Não consegui dormir bem”, “Não me alimentei bem”, “Estive doente”, “Tive problemas num relacionamentozinhu”, “Me lesionei”, “Não consegui cumprir os volumes do treino por falta de tempo”.
Mas e daí? A força não se importa com isso. É o seguinte, ou você executa todos os mecanismos necessários pra manter ou aumentar a força, ou ela simplesmente some. Pode até ser que você teve um dia difícil no trabalho, ou não pôde dormir por algum motivo de força maior, ou até mesmo tenha se machucado de uma maneira inacreditavelmente azarada. Mas adivinhe: a força ainda assim não se importa, não tá nem aí. 
 
Talvez alguns até queiram ser incrivelmente fortes mas tem outras prioridades na vida, ou mesmo se deixam levar por superfluidades e futilidades e acabam por não seguir o plano. Mas a força não vai se importar com suas prioridades e futilidades. Ou você faz o que tem que ser feito ou ela vai embora. E se você se importa mesmo com a força e quer obsessivamente alcançar um novo patamar, então você vai ter que encontrar um caminho no meio de toda essa bagunça. Senão encontrar um, faça um!  Esforço aliado a inteligência. Nesse campo da performance ou você faz o que é preciso pra evoluir, ou você não faz. Não tem meio termo nem melação.

Vamos ver as coisas como elas são. Existem as adversidades e as vezes elas chegam e atrasam os planos. Sim. Isso é parte do percurso. Mas vamos criar um ponto de vista realístico sobre nós mesmos. Talvez tenhamos razões ou passamos por adversidades que nos impediram de fazer o requerido…Mas todo mundo passa por adversidades. Então novamente, o ponto aqui é entender que é uma simples questão de fazer o que é necessário. Sem resistência interior quando as expectativas forem frustradas por algum imprevisto. Quem idealizou foi você, as coisas não são como a mente projeta. É questão de não criar expectativas, mas sempre trabalhar pelo melhor. É assim que se desenvolve o máximo possível das capacidades físicas e mentais.

Não se trata de um auto-julgamento. Apenas porque você não conseguiu cumprir o planejamento devido a fatores externos ou outra coisa, não significa que você não é comprometido ou negligente. Se isso é uma coisa que você considera como ruim ou não é apenas uma questão de como você vê as coisas. Mas adivinhe novamente: A força não se importa como é a sua visão das coisas. Não importa se você se sente mal perante as causas que te impediram de realizar o trabalho. É somente questão de realizar o trabalho.

Então não crie uma negatividade interior quando isso acontecer, apenas aceite e em seguida aja para mudar isso. A força as vezes vai requerer de você muito mais do que você imaginou ou foi capaz de fazer. A maneira mais coerente de lidar com isso é analisar honestamente o que é preciso ser feito X o que você está disposto a fazer. 
Essa questão de não se auto-julgar talvez seja difícil pra muitos, os quais a mente está inundada de intermináveis diálogos internos. É questão de manter uma mente neutra, sem “bom” ou “ruim”, vendo apenas o que tem que ser feito. Ficar enquadrando os acontecimentos inesperados como desculpas não vai adiantar nada, e não queremos viver de coisas que não sejam efetivas, portanto abandone esse estado interior. É muito melhor ter a visão que a força teria se fosse uma entidade: “Você fez o trabalho requerido? Sim ou não? Se não fez não estarei aqui. Da próxima vez faça o que é necessário e eu voltarei.”. É simples e fácil. É só não ficar lidando com isso emocionalmente. 
 
Talvez muitos não vão querer ler esse isso pois parece filosofia e não tem nenhuma dica de como planejar o treinamento, o numero de séries, exercícios, periodização ou seja lá o que for. Mas é imprescindível observar o quanto de nosso desempenho inicia a partir da força mental e da disciplina. De nada adianta ter o melhor treinamento possível, desenvolvido por um treinador de atletas de elite, se você não vai agüentar o tranco mentalmente. Não vai conseguir cumprir os requisitos extra treino como alimentação específica, técnicas de recuperação e mobilidade que ocupam grande parte da rotina. Cada fator é uma engrenagem que vai fazer o mecanismo funcionar como um todo, e isso demanda muito esforço e privações de coisas que você considera como agradável.

Mas como sempre é questão de prioridades e ações, como a força vai proceder aí vocês ja sabem.

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2 respostas para A Força NÃO se Importa

  1. azothefesus disse:

    Excelente, vai mais além: A vida não se importa.

    Ou faz o que tem que ser feito, ou lide com as consequências, recebendo mediocridade em troca. Tudo sempre vai dar errado, não há ‘boa hora’ para nada. É ir em frente não obstante o quê em prol da imagem que idealizou de si próprio.

    O Estige era o rio da invulnerabilidade para os gregos. O rio das promessas inquebráveis. Como ficar invulnerável? Não quebrar tais promessas que fez para si.

    O resto? Só desculpas.

  2. Pingback: A força NÃO se importa | Azoth Efesus

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