Pensamentos Aleatórios 5

por Daniel Castro, a parte 4 está aqui.

Continuando com minha exploração de livros já lidos, cheguei a reler boa parte do “Genghis Khan and the Making of the Modern World”, de Jack Weatherford. O autor é antropologista, mas seu conhecimento de outras áreas me impressionou um bocado. Por exemplo, comparando a dieta dos cavaleiros mongóis ao dos fazendeiros chineses, ele diz que “Comparado aos soldados chineses, os mongóis eram muito mais saudáveis e fortes. Os mongóis consumiam uma dieta de carne, leite, iogurte, e outros laticínios, e lutavam contra homens que sobreviviam a base de diversos grãos. Esta dieta dos guerreiros peões, fragilizava seus ossos, apodrecia seus dentes, e os deixava fracos e vulneráveis à doenças”. (Genghis Khan and the Making of the Modern World, pág. 87, em tradução livre)

A escola austríaca de economia é a única que consegue descrever a realidade econômica, e como por exemplo, o papel moeda é sempre fraudulento. Os povos antigos sabiam disto, e o livro em questão diz que: “Para facilitar a velocidade e segurança do comércio através do Império [Mongol] Kublai [Khan] radicalmente expandiu o uso de papel-moeda (…) Autoridades mongóis na Pérsia tentaram mas falharam em instituir o sistema mongol porque o conceito era estranho aos mercadores locais, cujo descontentamento quase chegou a revolta em uma época em que os mongóis não sabiam se poderiam reprimi-la.” (ibid. pág. 204 e 205). Infelizmente as coisas mudaram para pior.

O livro tem várias outras passagens interessantes sobre a história mongol, e é uma refrescante mudança para quem se concentra demais na história europeia.

Eu perdi a conta de quantas vezes eu disse que Bacon é Saudável. Este artigo é mais um golpe a favor desta noção.

“Porém, quando um problema nos preocupa muito e não há qualquer possibilidade de resolvê-lo, a única saída razoável é colocá- lo de lado.
Se não tenho picareta para cavar um buraco no lugar em que quero, o jeito é cavar com a mão, num terreno mais macio, ou tentar utilizar uma tora de madeira. Nunca, na verdade, a tora poderá substituir com eficiência a picareta. Mas, se eu ficar lamentando a ausência da picareta, nem farei o buraco nem aproveitarei o tempo em outra atividade.” Foi pensando assim que comecei a me habituar com a vida na ilha. E resolvi enfrentar a realidade da minha situação, decidido a aproveitar a primeira oportunidade para sair dela.”

Daniel Defoe, Robinson Crusoe. Uma passagem que deveria ser lida pela geração “leite com pêra”.

O Azoth escreveu um ótimo post uns tempos atrás, com um ótimo pensamento: “Não é o crítico que importa, nem aquele que mostra como o homem forte tropeça, ou onde o realizador das proezas poderia ter feito melhor. Todo o crédito pertence ao homem que está de fato na arena; cuja face está arruinada pela poeira e pelo suor e pelo sangue; aquele que luta
com valentia; aquele que erra e tenta de novo e de novo; aquele que conhece o grande entusiasmo, a grande devoção e se consome em uma causa justa; aquele que ao menos conhece, ao fim, o triunfo de sua realização, e aquele que na pior das hipóteses, se falhar, ao menos
falhará agindo excepcionalmente, de modo que seu lugar não seja nunca junto àquelas almas frias e tímidas que não conhecem nem vitória nem derrota.” Theodore Roosevelt.

Falando em homens que merecem crédito, li ano passado a curta biografia (parte 2) de Hermann Goerner, strongman do início do século XX (quando ainda não existiam esteroides sintéticos).

Sim, ele lutava com elefantes. A legenda diz que o paquiderme começou a turnê sul-africana com 320 quilos, e no final havia chegado a 680 quilos, mas ainda assim era páreo fácil para o poderoso Goerner.

Ler este livro e ver as fotos nele contidas é uma experiência surreal, vejamos:
– Carregava 4 homens pesando mais que 450 quilos em um ombro.

– Comia até 2 quilos de carne por dia, mais ovos.

– Bebia e fumava moderadamente.

– Aos 14 anos pesava 84 quilos de puro músculo.

– Fazia uma “ponte humana”, e sustentava uma carga de 1800 quilos nesta exibição.

– Segurava com os joelhos e peito um tablado sobre o qual 6 dançarinas dançavam.

– 150 cm de ombros (relaxados), 48 cm de bíceps e 49,5(!) cm de pescoço.

– 330 quilos no levantamento terra… com apenas uma mão. Um recorde até os dias de hoje.

– E na página 76 do livro referenciado acima, a parte mais impressionante, em minha opinião: Na Inglaterra, em 1927, ele subiu 10 lances de escada, enquanto dezesseis (!!!) homens tentavam impedi-lo, puxando uma corda amarrada ao seu corpo, segurando-a como quem faz cabo-de-guerra.

– Durante sua juventude, Goerner treinava diariamente, gostava de tomar sol moderadamente, nadava esporadicamente, e comia uma dieta muito variada, com ênfase na carne, e evitando doces. Advogava um sono de 8 a 9 horas, mais uma hora durante a tarde. Seriam estes alguns dos segredos do homem que provavelmente foi o mais forte antes da era dos esteroides sintéticos?

Os três livros que citei são altamente recomendados, e por hoje é só.

 

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6 respostas para Pensamentos Aleatórios 5

  1. azothefesus disse:

    Obrigado pela lembrança, Daniel.

    Seu blog é excelente e esta ideia de pensamentos aleatórios é fantástica! Keep it up!

  2. Gabriel Silva disse:

    Muito bom, tava a um tempo sem acessar teu blog e ele continua excelente !
    Também pesquiso sobre culturistas/strongman’s da época pré-esteroides e me pergunto se a força(funcional, não meramente estética ) tem um limite,um platô quando praticada naturalmente. Os culturistas, por exemplo, atingem o famoso ”limite natural” mas os strongman’s atingiam resultados cabulosos e pareciam estar sempre evoluindo mesmo sem o recurso de ergogênicos.

  3. Pingback: Pensamentos Aleatórios 6 | Nuvem de giz

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