Vitamina D e gripes

por John Cannel, o original está aqui.

Tradução por Daniel Castro

N.T. O texto a seguir é um pouco antigo, e trata de um estudo epidemiológico, mas tem dados muito interessantes. Aproveitando que estamos no verão, decidi traduzir mais um texto sobre a vitamina D, baseado em uma pergunta de uma leitora americana ao fundado do “Vitamin D Council”.

Dr. Cannell: A gripe mexicana voltará este ano? Eu deveria tomar uma vacina contra a gripe ou suplementar com vitamina D? Sinceramente, Cynthia, Nebraska

Querida Cynthia: Eu não sei e não sei. Porém, estou começando a crer que a vitamina D é ao menos tão protetora quanto as vacinas, embora tal comparação direta nunca tenha sido feita. A razão é dupla:

  1. Diversos estudos controlados e randomizados sobre a vitamina D sugerem que a dose certa da mesma podem ser tão protetoras quanto a maioria dos estudos sobre a efetividade das vacinas contra a gripe.
  2. A vacinação em massa de nossos idosos falhou em reduzir o índice de internação hospitalar por influenza, ou o índice de morte entre eles.

Porém, eu suspeito que conforme os índices de vacinação nos idosos subiram nos últimos 30 anos, deficiências no sistema imune devido à deficiência de vitamina D também cresceram e uma cancelou a outra. Lembre-se, de todas as faixas etárias, os idosos são os mais propensos a evitar o sol.

Um estudo epidemiológico sobre a vitamina D e a gripe, muito bem escrito e completo, publicado semana passada na Noruega, sugere que a vitamina D pode ser o principal fator de controle em epidemias de influenza, e até mesmo das pandemias. Este estudo amável foi esrito pela Dr. Asta Juzeniene, com o Dr. Johan Moan como autor sênior, ambos do Oslo University Hospital. Eu não estou dizendo que gostei somente porque eles me creditaram com a descoberta; é um ótimo estudo.

Eles usaram dados do mundo todo, dos últimos 110 anos, para demonstrar que os índices de morte por influenza sobem quando a luz ultravioleta produtora de vitamina D diminui. Além disto as diferenças eram impressionantes, com os índices de morte por influenza sendo de 20 a 600 vezes maior durante meses em que a vitamina D não pode ser feita na pele. Enquanto parte disto é um efeito “antibiótico” direto da vitamina D, parte disto é devido à mesma causar um efeito inato de “imunidade de grupo.” O “tamanho de efeito” total que este estudo norueguês sugere é impressionante.

O efeito de “imunidade de grupo” da vitamina D significa que se você for o único em sua família com ela, então seu risco de contrair a gripe é menor, mas você ainda terá uma chance razoável de contrair o vírus. Se todos em sua família tem vitamina D, mas ninguém mais na escola de sua criança tem, o seu risco de ser exposta e ficar doente é ainda menor. Se todos em sua cidade (grupo) a tomam, então seu risco é ainda menor, se todos no país tomam, ainda menor etc.. Isto é devido ao efeito de “imunidade de grupo” que é bem estabelecido para anticorpos do influenza, e que eu cogito ser verdadeiro para a vitamina D também.

No ano passado eu passei muito tempo lendo cartas que diziam, “eu contraí o H1N1 apesar de tomar 5.000 UI por dia, seu charlatão.” Primeiramente, eu estimo que somente cerca de 0,1% das pessoas que pensam ter o influenza A realmente têm o influenza A. A maioria têm outros vírus. Mesmo quando as pessoas estavam doentes o suficiente  com sintomas de influenza para não conseguirem ir ao médico, e este preocupado o suficiente para indicar medicamentos antivirais e também mandar uma amostra para o CDC (Nt.: Centers for Disease Control and Prevention, ou Centros de Controle e Prevenção de Doenças) , apenas cerca de 2% das amostras continham o influenza A. Mesmo pessoas com os sintomas clássicos da gripe, como febre, tosse, dores corporais e prostração muitas vezes não têm infecção detectável pelo influenza A.

Em segundo lugar, assim como a vacina, a vitamina D não protege 100%, mesmo contra o influenza A. Ela somente reduz o risco de doença. Acredite em mim, mesmo que se seu nível de vitamina D fosse perfeito (qualquer que ele seja) e você tivesse se vacinado, seria fácil atacar seus pulmões com um spray de vírus influenza virulento o suficiente para te matar rapidamente.

Por conta tanto do efeito antibiótico quanto do efeito de “imunidade de grupo” da vitamina D, eu recomendo que você incentive seu grupo a tomá-la na época da gripe. A dose correta é 5.000 UI/dia (NT.: novamente, no Brasil isto não é necessário, banhos de sol são uma fonte superior) para adultos e cerca de 1.000 UI/11kg/dia para crianças. Eu também acredito que a vitamina D deveria ter cofatores que a maioria dos americanos são deficientes de qualquer modo, magnésio, vitamina K2, zinco, e boro.

Eu continuo me vacinando, assim como fazem minha esposa e filhos. Meu pensamento é simples: eu acredito nos cientistas, e, alguns anticorpos a mais não podem se ruins, embora eu esteja ciente de estudos russos que demonstram que a resposta imune a vacinas antigripais são altamente sazonais e a formação de anticorpos é diretamente proporcional à resposta imune. Ou seja, altos níveis de vitamina D podem diminuir ou prevenir a formação de anticorpos advindos da vacinação. Isto seria um estudo científico fácil de fazer, simplesmente ache um pouco de sangue estocado no dia da imunização, e então veja quais pacientes formaram mais anticorpos depois de um tempo, se aqueles com maiores ou menores níveis de vitamina D.

Eu li bastantes artigos sobre vacinas da gripe. Ao invés de alguns de vocês, eu não penso que estes cientistas são charlatães, todos comprados pela indústria da vacina, não mais do que eu fui comprado pela indústria da vitamina D. Eu continuarei a tomar vacinas e suplementar com vitamina D.

Porém, conforme o tempo passa, e mais e mais pessoas obtenham níveis de verão de vitamina D ao longo do ano todo, eu suspeito — se as descobertas do artigo do Dr. Asta Juzeniene forem confirmadas — as principais razões para se tomar a vacina da gripe se tornarão mais hábito que conhecimento, mais sociais que médicas, mais financiais que científicas.

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