Pensamentos Aleatórios 2

por Daniel Castro

Leia também a parte 1. Aristóteles disse que “somos o que fazemos repetidamente. A excelência portanto não é um ato, mas um hábito”. E reflito que não só a excelência, mas também a saúde e a força são hábitos. Quando você repetidamente se esforça, fica mais forte. Quando repetidamente come melhor, dorme melhor, toma sol e outros hábitos positivos, seu corpo não tem opção a não ser ficar melhor.

Eu resenhei sobre o excelente livro Antifrágil recentemente, e junto com ele comprei outros 2 livros sobre aleatoriedade: O Andar do Bêbado, que é razoável, e O Sinal e o Ruído que me deu acessos de raiva. O autor fala um monte de bobagens sobre economia e outros assuntos, e para completar a tradução tem muitos erros estranhos. Fique longe deste abacaxi.

Henry Louis Mencken deveria ser mais conhecido. Suas críticas ao Deus que falhou, mais conhecido como democracia, são sempre precisas, e ele previu há cerca de 100 anos a degeneração que a civilização ocidental hoje sofre por conta desta instituição temerária. Como se não bastasse, seu livro In Defense of Women é uma peça genial, criticando ambos sexos com igual eficiência e humor cortante.

Falando sobre mulheres, a fisiologia feminina é algo totalmente diferente da masculina. Enquanto eu tenho estudado nutrição geral no últimos três anos, as variações hormonais periódicas das mulheres, e outras características únicas de sua fisiologia me deixam quase que impossibilitado de dar conselhos específicos a muitas delas quando elas me pedem.

Homens por outro lado, são praticamente máquinas movidas por testosterona. Se você for um homem, aumente sua testosterona e provavelmente você ficará mais feliz, menos deprimido e mais saudável. Por falar nisto, me lembro agora dos post do Jamie Lewis sobre agressividade: coisas como a cor vermelha, músicas pesadas e talvez até mesmo o corte de cabelo (após eu fazer um corte moicano minha agressividade aparentemente aumentou) podem aumentar a testosterona.

Se você gosta de musculação e andou entrou na internet esta semana, provavelmente viu a história de Dean Wharmby, que morreu de câncer no fígado após uma “dieta cheia de proteína”. Esta manchete, usada por vários jornais online, é tragicômica, mas pode nos trazer lições boas: Primeiro, a mídia ou é idiota ou tem muito interesse em demonizar a proteína e promover carboidratos. Estou certo que Dean consumia muita água também, e mesmo assim a noção de que ele morreu por causa do consumo de água seria ridícula. Assim como a noção de que proteína causa câncer no fígado. O que pode sobrecarregar o fígado são hormônios em excesso, e ninguém fica enorme como Dean sem um uso excessivo de hormônios androgênicos. Segundo, é por estas e outras que o estudo da epistemologia é fundamental, para rapidamente discernirmos bobagens deste tipo de coisas que realmente fazem sentido e são verdadeiras. Terceiro, ser forte é muito benéfico, mas devemos pensar que é possível ser forte sem destruir a saúde, até mesmo um uso consciente de hormônios androgênicos é possível.

Sylvester Stallone, por outro lado, beira ao 70 anos e ainda está bastante forte, mesmo comendo muita proteína e usando esteroides anabolizantes. Jack LaLanne, então, viveu fantasticamente bem até os 97 anos, e sua dieta cheia de proteína aparentemente não o matou.

O ser humano só evolui grandes cérebros porque seus ancestrais comiam carne (e também porque dominaram o fogo, cozinhando alimentos funciona como uma espécie de pré digestão), mas alguns de nós não o usam muito bem, e até hoje ainda culpam a carne por câncer, problemas renais, doenças cardíacas, e se bobear, ebola e aids.

“Quando você assiste TV, o produto é você”, Anônimo. Uma das melhores decisões que tomei foi parar de ver Televisão, há cerca de 5 anos. Como se não bastasse que ela seja uma fábrica de desinformação, ela provê entretenimento passivo, o que (lembre-se da frase de Aristóteles) vai nos fazendo ficar com cada vez mais preguiça, desestimulados de produzirmos algo por nós mesmos. Ela desestimula o senso crítico, a vontade de realizar pesquisas, a atividade, enfim a TV é um lixo. E se você olha muito tempo para o lixo, o lixo olha de volta para você, e você se torna um lixo também.

Quem leu o blog nos últimos dias deve ter percebido que eu sou um grande fã de Ludvig Sunström. Uma vez que provavelmente não traduzirei seu guia sobre a grande mídia, recomendo que quem saiba ler inglês, o leia aqui. Ele chega a mesma conclusão que eu havia chegado, e de uma maneira brilhante.

Filmes então, não assisto há pouco mais de um ano,  e mesmo antes os assistia raramente, pois em sua enorme maioria também são entretenimento vazio. Recentemente assisti um vídeo sobre “7 coisas que podemos aprender com ‘O Poderoso Chefão’”, feito pelo Matheus Copini. É impressionante como o melhor exemplo, de longe, de conduta masculina seja de um filme de 1972, e a tendência nesse campo é só piorar. Os homens dos filmes de hoje são invariavelmente idiotas rasos, fracos e sentimentais. Até mesmo Tyler Durden demonstra essa fraqueza quando tenta fechar os clubes da luta.
Então, por hoje é só, mas na próxima sexta tem mais, até lá aproveitem os links.

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6 respostas para Pensamentos Aleatórios 2

  1. Opa, estou acompanhando esse blog a uns dias (não sei quem é o autor) e hoje vejo um vídeo meu linkado aqui. hahahha Obrigado, e parabéns pelo site.

    • Daniel Castro disse:

      Fala Copini!

      Sou o Daniel Castro, membro de sua comunidade no facebook. Esta semana te recomendei um texto em inglês sobre o Benjamim Franklin no inbox, e citei este mesmo vídeo que linkei. (Agora acho que você liga uma coisa na outra). Obrigado pelas visitas,

      Daniel.

  2. Pingback: Pensamentos Aleatórios 3 | Nuvem de giz

  3. Mateus disse:

    Rapaz, faz muito sentido isso de não ver TV, mas não somente ela. Como você disse, o entretenimento não tem profundidade e te deixa burro. No meu caso, tenho problemas com videogames, acabei me perdendo e me afundando neles durante a minha juventude. Consegui recentemente diminuir bastante o tempo em jogos, mas não eliminei totalmente, e é algo que estou buscando. A academia tem me ajudado nisso, até pelo tempo de leitura sobre os assuntos à ela relacionados (aqui estou eu), ao preparo de alimentos e o treino.

    Poderoso Chefão. Perdi a conta de quantas vezes o livro. A primeira vez foi com uns 13 anos de idade, e de lá para cá foi no mínimo uma ou duas leituras anuais, e olha que eu não tenho costume de ler, por isso eu afirmo que o livro é sensacional. Copolla não tem culpa, não há ninguém capaz de transmitir as palavras de Puzo para uma tela de cinema, e olha que o filme é um dos que eu mais aprecio.

    Um abraço!

    • Mateus disse:

      “quantas vezes LI o livro”*

    • Daniel Castro disse:

      Mateus,

      Eu também me afundei em jogos na adolescência e começo da fase adulta (xadrez [que é excelente mas também pode viciar], sinuca, totó [pebolim], cartas, DotA etc., então entendo o que você está dizendo. Os jogos online são ainda mais perigosos, pois modificam as conexões cerebrais.
      Sobre o tema da internet recomendo a leitura do livro The Shallows, de Nicholas Carr, ele explica a história da comunicação e acesso a informação como prelúdio para explicar sobre a neuroplasticidade do cérebro e como a internet nos torna pensadores rasos e sem autocontrole.
      Sobre a mídia moderna, recomendo o livro Trust me, I’m Lying, de Ryan Holiday (traduzido toscamente para o português como “Acredite, Estou Mentindo”), onde o autor expõe táticas modernas de criação de “virais” e outros modos de despertar a atenção (rasa) do público.
      De todo modo, a batalha contra os jogos não é fácil, mas você já a está vencendo.

      Quanto ao Poderoso Chefão, vi o filme, mas do Puzo só li o livro The Family, lançado em português como Os Bórgias, que é um livro bom, recomendado, mas que faz uma descrição simpática demais (ao menos para o meu gosto) da Lúcrecia Bórgia para ser um livro destacado.

      Um abraço,
      Daniel.

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