Mais quatro livros excelentes, versão nutrição

por Daniel Castro

Há pouco tempo escrevi um post com recomendações de livros. Uma vez que o blog é focado em nutrição e musculação, e com a grande quantidade de livros excelentes sobre o tema sendo pouco conhecidos, resolvi escrever resenhas curtas de alguns livros excelentes sobre nutrição. Boas leituras:

1.Nutrition and Physical Degeneration, de Weston A. Price, em inglês.

Weston A. Price foi um dentista americano que viajou o mundo durante a década de 1930, avaliando as dentições de diversos grupos de nativos, isolados ou não da civilização europeia. Seus achados se transformaram em uma grande prova da superioridade da alimentação tradicional, e em uma condenação cabal da farinha e do açúcar refinados. O livro é um documentário repleto de fotos de tais nativos antes e depois da adoção de tais comidas. Por exemplo, nas fotos abaixo, Price diz que:

Destes seis irmãos os quatro mais velhos nasceram na Ilha Badu antes da chegada do mercado do homem branco. Os dois mais novos estão à direita, embaixo. Note as mudanças nas formas faciais.
Acima, o irmão da direita nasceu logo antes do mercado ser aberto na Ilha Badu, e os três mais jovens, depois. Note as mudanças nas formas faciais. Abaixo, note que as arcadas dentárias são muito constritas para dar espaço para os novos dentes. Este garoto é o da esquerda da foto acima.

Não vou me dar outros exemplos, mas este e os demais do livro completamente deitam por terra o mito da genética. Vezes e repetidas vezes Price mostra pessoas com a mesma herança genética tendo vastas diferenças em sua constituição física. Além disto, Price detalha as dietas tradicionais destes povos, que previsivelmente são totalmente diferentes umas das outras, o que prova que não existe “uma” dieta paleolítica (embora este termo não fosse usado por Price), mas diversas, e que se estas tiverem composições adequadas de nutrientes, aqueles que as adotam crescerão fortes de maneira inimaginável para os tempos atuais.

Price completa seu livro com efeitos da dieta sobre animais, sobre a nossa saúde mental e social, controle de cáries, qualidade do solo, e aplicação prática do conhecimento ancestral.
Ou seja, simplesmente um livro fundamental.

Atualização 15/10/15: Meu colega Hai traduziu uma resenha bem mais extensiva sobre o livro acima, que pode ser lida aqui.

2.Gnoll Credo, de J. Stanton, em inglês

“Nós nascemos e morremos.
Ninguém se importa, ninguém se lembra, e não importa.
É por isso que rimos.”

Este é, no mínimo, um livro de nutrição não usual. Bem, na verdade não um livro de nutrição, mas um romance sobre Gnolls, híbridos de hienas com humanos. “O quê??!!”, eu escuto você dizer. Exatamente isto eu respondo. The Gnoll Credo conta a história de Gryka uma Gnoll, raça de humanos-hienas extremamente violentos e inteligentes, deixada por seus pais para ser criada em meio aos pacatos humanos. E Gryka é alfabetizada por seus pais adotivos, aprende o básico da cultura humana e retorna ao convívios dos Gnolls, apenas para encontrar com o narrador da história um professor universitário que decide estudar a civilização Gnoll.

O que ele encontra é uma civilização muito rudimentar, mas de nenhum modo condenável. Os Gnolls são conduzidos por um código de honra não escrito, o Credo Gnoll. Este credo é baseado em valores como a falta de importância da vida como algo metafísico, coesão do grupo de caça, foco na atividade sendo realizada, e uma coragem calculada.

Em oposição aos Gnolls estão os seres humanos, criaturas fracas e medrosas que têm uma reverência abjeta pelas autoridades poderosas, no caso do livro, o Rei e seus capangas. Enquanto você vai lendo a história de Gryka e do narrador, que vão se tornando cada vez mais amigos, você começa a perceber a real intenção do livro: Os Gnolls são metáforas para o que os seres humanos realmente devem ser, e a alimentação é só uma das partes importantes que devemos realmente conhecer para recuperar nossa saúde e bem estar.

Em conclusão, este é um livro que é capaz de abrir nossos olhos para a realidade como poucos outros, e merece ser mais bem conhecido.

3.Good Calories, Bad Calories, e Por que Engordamos de Gary Taubes

Gary Taubes é um jornalista científico que se debruçou sobre a história da ciência nutricional, desde a A Carta sobre Corpulência de William Banting, em meados do século XiX até os dias de hoje. E disto saiu o livro Good Calories, Bad Calories, onde Taubes faz um trabalho excelente tanto como jornalista quanto como nutricionista. Taubes esquadrinha cada canto das pesquisas que levaram ao atual paradigma de que gorduras saturadas e produtos de origem animal causam doenças cardíacas e degenerativas, demonstra os erros delas, como a ciência foi manipulada para servir aos interesses do governo, convincentemente acusa os carboidratos refinados (isto é, açúcar e farinha refinados) por causar todas estas doenças.

Ancel Keys, um dos grandes pseudo-cientistas do século XX

Agora, eu mesmo aqui já comentei de outros livros que chegam a esta conclusão, como o Paleo Manifesto e o Paleo Solution, mas o que torna o Good Calories um livro acima dos outros são a quantidade enorme de referência bibliográficas, o detalhismo de seu jornalismo com datas, locais e pesquisadores precisamente divulgadas, para que o mais cético dos céticos se convença de quem são os reais vilões nutricionais.

Sem dúvidas um livro excelente para quem quiser se aprofundar na ciência nutricional

[Bônus] E falando em enorme quantidade de referências e detalhismo, muitas pessoas acharam GC, BC pesado demais. Justamente aí é que entra Por Que Engordamos – E o que fazer para evitar, do mesmo autor. Um livro com a ideia de ser mais simples, com metade do tamanho do anterior e mais voltado ao lado prático da nutrição. Quanto a este segundo tomo do Taubes, ainda não posso dar detalhes pois ainda estou no começo de sua leitura. Ainda assim vou recomendá-lo, pois é um dos poucos livros sobre nutrição paleolítica traduzidos para o português e seu autor já provara sua qualidade irretocável como autor.

4.Barriga de Trigo, de William Davis

Este é um livro sobre nutrição exclusivamente, e bem prático. Sua premissa é simplesmente cortar o trigo da dieta. Segundo Davis, modificações genéticas para aumentar a produtividade do trigo criaram novas tipos de glúten, a proteína de defesa dos cereais, que pode ser responsável por dezenas de doenças autoimunes, de problemas neurológicos a problemas intestinais, de absorção de nutrientes, entre outros. Estes novos tipos de glúten são ainda mais perigosos que os tipos tradicionais de glúten, prejudiciais sim, mas menos que os modernos.

Barriga de cerveja? Ou de trigo?

E a beleza de cortar o trigo da dieta, mesmo sem cortar o açúcar, é que uma grande parte dos carboidratos que consumimos vêm justamente do trigo. Assim, mesmo que a glicose e outros carboidratos simples em si sejam também prejudiciais, cortar o trigo já corta também muitos destes carboidratos. E Davis prova a eficiência de seu método ( que não é o único possível) com diversas anedotas de seus clientes que conseguiram resultados espantosos de melhora de saúde.

O Barriga de Trigo finaliza com várias receitas relativamente fáceis de fazer (como por exemplo uma pizza com massa de couve-flor) para ajudar o leitor na transição para uma vida mais saudável, algo que o torna excelente para aqueles que querem uma fonte rápida e simples de receitas.

Em conclusão, Barriga de Trigo não é estranho como Gnoll Credo, tão científico como Good Calories, Bad Calories, ou com uma pesquisa tão extensa quanto Nutrition and Physical Degeneration, mas é simples rápido e eficiente.

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