A única coisa da qual você deve ter medo é o próprio medo

Tradução de mais um texto do recordista de powerlifting Jamie Lewis. O original está aqui.

Teddy Roosevelt, o maior Presidente americano e sem dúvida a pessoa mais legal a já ter vivido nos EUA, odiava muito seu primo aleijado, Franklin Delano Roosevelt, e eu admitirei que também não sou muito fã também. Francamente, eu me incomodo com quase tudo o que o FDR fez, desde o estabelecimento (sem prescrições ou instruções para a abolição do) de um sistema de bem estar social gigantesco pelo qual não podemos pagar, a criação do Cartão de Seguridade Social, que ele sabia que seria usado (ilegalmente) pelo governos federal e estaduais como mais uma forma de identificação, se casou com uma cadela feia que abertamente não gostava de sexo pelo dinheiro e nome dela (algo que eu incorretamente acreditei que somente mulheres fizessem), tornou legal ao governo confiscar ouro em posse particular, e era um completo fdp com o filho do TR, Ted Jr..
Você pode estar pensando, o que diabos tem isso a ver com musculação? Eu te conto- FDR foi o criador de uma das frases mais burras e sem sentido jamais proferidas, junto com “isto é o que é”, e “faremos o que fazemos”, ou seja “A única coisa da qual você deve ter medo é o próprio medo.” Você pode associar esta frase com outro político idiota, JFK, mas na verdade, a única coisa útil a sair da boca dele foi a calcinha da Marilyn Monroe.
De volta ao ponto- a frase “A única coisa da qual você deve ter medo é o próprio medo” é patentemente ridícula, e uma afronta tanto à lógica quanto  à toda experiência humana. Existem muitas coisas no mundo da qual devemos ter medo-se você vir um filho de uma puta saindo de uma moita na África e sangrando pelos poros, você deve cagar suas calças de medo enquanto corre no sentido oposto, pedindo com sua mais alta voz para que alguém isole a tudo dentro de 160 quilômetros, porque o cara tem o maldito Ebola, e logo é um homem a ser temido E embora você possa pensar que este foi um exemplo extremo, cuzões que tem a falta de senso social a ponto de sangrarem pelos poros merecem serem bombardeados, porque eles são cuzões, e devem ser temidos, porque se eles sangrarem em você, você vai se transformar em um cuzão também. Minha lógica é irrefutável assim como o pau daquele lobisomem viadinho do Crepúsculo é intocável por mulheres.
Agora, como isto se aplica à musculação, você pode perguntar? Bem, se você estiver perguntando isso, se estapeie, com a mão mole, na cara por ser um Zé-buceta, porque se você nunca teve medo dentro da academia, você nunca levantou um peso que valesse a pena falar sobre. É isso mesmo- são os filhos da puta que nunca sentiram medo que são os Zés-buceta, e não os caras que rodam na maior cara de pau levantando sem medo pesos muito abaixo dos limites deles. Um homem que se conhece, se conhece porque ele se testou- se você não se testou, você não se provou, e logo, é desconhecido. Este testes são relativos, porque cada pessoas tem seu próprio limite, mas existem certos ritos de passagem- a primeira vez que você faz 140 kg no supino, ou mais de 230 kg no levantamento terra ou no agachamento. Ficar sob tais pesos é ridiculamente apavorante, usualmente. Eu conheci um cara, anos atrás, que sempre fazia supino com pesos de 25 lb (11,3 kg), ao invés dos de 45 lb (20,4 kg), simplesmente porque ele conseguia levantar mais peso daquele jeito. Ele fazia de uma a três repetições com 6 pesos de 25 lb de cada lado (NT.: 68,8 kg de cada lado), mas ficava preso, hilariamente, todas as vezes que colocávamos 3 de 45 lb (NT.: 61,2 kg de cada lado) de cada lado para ele. Estranho, e um pouco triste, mas muito hilário de qualquer jeito. O problema dele era “mental”, como nós gostamos de chamá-lo, mas isto é só colocar uma pintura dourada em bosta de cachorro- ele cagava de medo da ideia de levantar 140 kg, e usar os pesos de 45 lb fazia aquele peso real.
Então, se você está com medo, o que exatamente está acontecendo? O medo é essencialmente a resposta natural do corpo ao aparecimento de um stress externo, e se manifesta na forma de uma liberação enorme de adrenalina. Esta liberação de adrenalina é um bem documentado efeito evolutivo no sistema nervoso humano- ela te faz tremer ou congelar (o que te habilitaria a enfrentar um atacante/animal/Mothra ou te congelar ao ponto em que você parecesse morto, quando o atacante/animal/Mothra pararia seu ataque), e no primeiro caso te daria uma força extra. Em cada caso, sua coordenação motora fina ficaria prejudicada, e sua forma enquanto praticando a musculação parecerá bosta de vaca frita. Isto é ainda pior em competições, já que pessoas quase sempre se saem pior quando as apostas estão mais altas (1)- Eu pessoalmente tremo como se estivesse paralisado durante minhas duas primeiras tentativas de levantamento em qualquer competição. Não é incomum ter tal tipo de descarga de adrenalina, ou ter algum tipo de reação desagradável a ela- apenas tente não desmaiar com centenas de quilos sobre sua cara ou em suas costas.
Então, como combater esse efeito? O Sargento Rory Miller acredita que o melhor método para combater isso é treinar, extensivamente, até que seu corpo entre em autopiloto e ignore seu cérebro completamente. Eu pessoalmente concordo com todo meu coração, mas vou levar isso um pouco mais adiante. Fazer coisas como parciais, “andar para fora” e suportem é um jeito ótimo de se acostumar a pesos extremos e eliminar o medo que você possa ter de lidar com um dado peso. De fato, estes métodos te ajudam- eles treinam seu sistema nervosa para liberar adrenalina de um modo útil, e deixam seu corpo pronto para punições futuras com estes mesmos pesos em movimentos com maiores extensões. Adicionalmente, penso nesses métodos como um saturador de nervosos que funcionam mais ou menos como apertar seu dedão após batê-lo em algum lugar funciona- a pressão na verdade reduz a dor. Uma pesquisa de 45 segundos no google não me deu a razão científica para isso, mas todos nós sabemos que é assim que funciona, então foda-se.
Eu tenho tanta culpa quanto qualquer outra pessoa de sucumbr a este medo, e minha BTN tem sido notavelmente fraca após eu ter quase me matado com a barra alguns meses atrás. Sendo assim, eu tentei uma variedade de métodos para superar este bloqueio mental, entre eles:
  • mudar a barra para a frente do pescoço
  • fazer repetições mais leves, com mais repetições com 100 kg
  • focar mais no clean and press, e abandonar esse tipo de exercício de vez
  • fazer BTN’s parciais, com diversos pesos
Tente adivinhar quais funcionaram e quais não. Desistiu? As parciais, que incluíram diversas variações com pesos até acima de 140 kg. O resultado? Meu medo de pegar 140 kg se foi, e eu consigo fazer entre 5 e 10 séries de uma repetição com “lockouts” melhores no topo, e descansos muito curtos, com “lockouts” muito mais estáveis.
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Eu provavelmente deveria ter tentado isso… só para experimentar.
O que eu aprendi? A única coisa que eu devo temer é escolher o lugar errado para fazer um exercício selvagemente perigoso, e continuar a fazê-lo após ficar exausto.
Pare de temer os pesos e comece a atacá-los com parciais. Isto é tudo.
1) Miller, Rory.  Meditations on Violence.  Boston:  YMAA, 2008.  p. 58. (O livro é muito bom, por sinal)
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