A Soja é o Diabo, mas não no bom sentido, parte 2

 Finalmente a parte dois da tradução do artigo escrito por Jamie Lewis sobre a soja. O original está aqui e a parte um da tradução, aqui.

Eu não faço ideia do porque dessa foto da Katy Perry estar no post original

Para aqueles que ainda não perceberam, esse blog foca no não convencional. Deste modo, a soja é um bom tópico para investigação, uma vez que ela é uma fonte de proteína bem heterodoxa para um não herbívoro.  Dado que ambos lados do debate sobre a soja usam suas gigantescas máquinas Goebellsianas de propaganda, a investigação deste tema se torna ainda mais interessante. De um lado temos vegetarianos, o governo, e gigantescas empresas agroquímicas. Estes grupos obviamente têm um interesse velado em desinformação e ofuscação de qualquer evidência apontando para a ideia que a soja faz mal à saúde, e um interesse claro em dizer que a soja é a melhor fonte de proteína existente. Derek Poundstone alega consumir proteína de soja em gigantescas quantidades, o que faz sentido, uma vez que ele é patrocinado DuPont, que acabou de construir uma nova fábrica de processamento de soja- o cara faz shakes de frango… de jeito nenhum ele consome 25% de sua proteína de feijões. Pense nisso. Do outro lado do debate, você tem um pessoal com medo de desenvolver tetas masculinas, e que viram uma quantidade suficiente de estudos demonstrando que a soja causa problemas de saúde assustadores, especialmente em nossa meio ambiente encharcado de xenoestrogênios.

Mais uma foto que não traduzirei a legenda, que não faz sentido algum.

Para conhecimento, aqui vai o que acontece quando animais são expostos a altos níveis de estrogênio no ambiente:
“Um aumento do número de peixes machos com partes reprodutivas femininas está soando o alarme para os perigos de poluentes e compostos semelhantes ao estrogênio em rios americanos, de onde milhões de americanos retiram sua água de beber, dizem especialistas ambientais.
Uma pesquisa recente de robalos no Rio Potomac, um dos principais abastecedores da capital americana, descobriu que quase 100% das espécies de robalo de boca pequena eram feminizados, ou tinham óvulos em seus testículos. Nas espécies de boca larga, a incidência de feminização era menor, mas ainda assim bastante grande.
 Algumas evidências sugerem que tais substâncias podem também ter um efeito cumulativo — a baixas concentrações, pode demorar um mês para os peixes serem afetados.
Kolpin examinou uma grande quantidade de substâncias consideradas contaminantes, e algumas das piores são anticoncepcionais, que também podem conter substâncias parecidas com o estrogênio. Ele diz que medicamentos provêm muitos benefícios à saúde humana, mas pode haver um lado negativo. Consumidores recebem poucas orientações sobre como descartar medicamentos não utilizados.
Pílulas não usadas são descartadas na privada, e acabam no esgoto, e a medicação poderia contaminar  águas subterrâneas. Sedimentos em leitos de rios são outras fontes de aumento de poluição.
 (Dell’amore)

Imagine um peixe desse jeito

Em outro estudo:
“Em um lago,” ele explica, “fizeram um tratamento com fármacos que estão nas pílulas anticoncepcionais, em uma concentração de seis partes por trilhão — similar à de água servida, embora a de Boulder não fosse tão alta. Eles a trataram por três anos com essa concentração. e dentro de dois anos eles haviam quase que eliminado os peixes do lago, porque as fêmeas não conseguiam fazer óvulos e os machos estavam tão ocupados fazendo proteína feminina que não conseguiam fazer esperma.”
Merdas como essa são o motivo pelo qual eu acho que todos nós deveríamos colocar nossos chapéus de papel alumínio e dar um foda-se para a soja- já temos xenoestrogênios em nossa água para nos tornarmos impotentes de qualquer jeito. Você já percebeu o grau em que os níveis de infertilidade e a disfunção erétil tem subido, e nascimentos caído nos países desenvolvidos recentemente? Porque piorar ainda mais a situação? E quais são os estudos demonstram essa piora?
Em um estudo com 42 homens adultos com “Dietas isoenergéticas, com 150g de carne magra ou 290g de tofu diariamente provendo quantidade equivalente de macronutrientes, com somente a fonte da proteína divergindo entre as duas dietas. Cada dieta durou 4 semanas, com um intervalo de 2 semanas entre as intervenções. As concentrações de hormônios sexuais não mudaram entre as dietas, mas a razão entre testosterona/estradiol foi 10% maior após a dieta com carne. A SHBG foi 3% maior; enquanto que o índice de andrógenos livres caiu 7%; após a dieta de tofu quando comparada à de carne. Houve uma correlação significativa entre a diferença de SHBG e testosterona/estradiol e mudança de peso.(Habito et al) Isto significa que, no mínimo, seus níveis de testosterona serão maiores em uma dieta com carne, ainda que a soja em si não abaixasse seus níveis de testosterona.
Em outro estudo que descreve os efeitos de curto prazo de fitoestrogênios em comportamentos regulardores (ingestão de água ou comida, atividade locomotora e peso corporal), peso da próstata, atividade da enzima 5-alfarredutase, níveis de hormônios reprodutivos e de Peptídio regulador agudo esteroidegênico (StAR) em ratos adultos de 
Sprague-Dawley (NT.: um tipo de rato de laboratório). Os animais foram alimentados ou com uma dieta rica em fitoestrogênios, contendo aproximadamente 600 microgramas de isoflavonas (conforme determinado pelo método HPLC) ou uma dieta sem fitoestrogênios. Após 5 semanas consumindo estas dietas, os níves plasmáticos de fitoestrogênios eram 35 vezes maiores nos animais alimentados com a dieta rica em fitoestrogênios quando comparados aos níveis dos animais com a dieta sem fitoestrogênios. O peso corporal e da próstata decaíram significativamente em animais alimentados com a dieta rica em fitoestrogênios quando comparados aos animais alimentados sem fitoestrogênios, porém, não houve mudança significativa na atividade da enzima 5-alfaredutase entre os grupos. Os níveis de testosterona plasmática e de androstenediona foram significativamente menores em animais alimentados com a dieta rica em fitoestrogênios quando comparados ao nível dos demais animais.(Weber, et al) A conclusão? Parece que uma dieta com muitos fitoestrogênios abaixa sua testosterona. Este achado foi repetido em outro estudo, que concluiu que “proteína de soja, independentemente de seu conteúdo de isoflavonas, diminuiu os níveis de di-hidrotestosterona e testosterona como efeitos pequenos em outros hormônios, dando evidências da ação da proteína de soja nos níveis hormonais.” (Dillingham et al) Um estudo com 69 homens japoneses e proteína de soja também achou uma correlação inversa entre ingestão de soja e níveis de testosterona, ainda que pequenos, e descobriu que “a ingestão de produtos de soja pode ser associada a níveis endógenos de hormônios em homens japoneses.”  (Nagata, et al)

A anti-soja japonesa.

Então, e sobre o estrogênio. Para aqueles de você que não sabem, a soja foi prescrita para mulheres em menopausa por anos como alternativa a suplementos com estrogênio. Deixem-me reformular isso – a soja é considerada um estrogênio herbal. Porque, então, eles dizem que ela não é estrogênica? Ou é, ou não é. Ao invés disso, a indústria da soja, diz duas coisas opostas ao mesmo, e ninguém parece estar se importando. “Mulheres grávidas são alertadas para evitar altas doses de fitoestrogênios” de acordo com um site sobre câncer de mama, e “cientistas também alertam as mulheres que tem câncer de mama ER+ que fitoestrogênios podem não ser seguros.” Intrigante- agora a soja não é boa nem para garotas, devido ao fato de que ela é superestrogênica (Flax). Um estudo de cinco anos na Universidade de Illinois, porém, demonstrou que “as consequências positivas ou negativas da exposição a isoflavonas de soja depende da época da exposição (se ela ocorre no começo, meio ou fim da vida), tipo de tecido (mama ou cérebro, por exemplo), e dose.”(Yates) Consequências positivas para mulheres não grávidas, negativas para homens, eu estou supondo. Eu achei um estudo demonstrando que o conteúdo de isoflavonas é mais baixo em produtos fermentados de soja, que é o que os japoneses usualmente comem, quando comparados a produtos não fermentados (como proteína de soja), o que significa que se você quiser comer a soja em sua sopa miso, menos mal. Porém isso demonstra que o consumo ocidental de soja é uma maldita estrada para a perdição. (Chien et al)
Para os céticos que ainda insistem que a campanha contra a soja não passa de táticas para causar medo, eu os desafio a identificar para quem estas táticas estão funcionando. Propaganda não existe sem motivos, e eu não consigo descobrir motivos neste movimento, já que não existe perigo que a indústria da carne vá à falência. então, pense disso o que você quiser, mas eu sei que os únicos estrogênios que eu planejo ingerir estão na urina feminina…

Você faria também se ela te pedisse- e a dela provavelmente tem muita testosterona de qualquer jeito.

Fontes:

Habito RC, Montalto J, Leslie E, Ball M. “Effects of replacing meat with soyabean in the diet on sex hormone concentrations in healthy adult males.” Br J Nutr 2000 Oct;84(4):557-63.

Dell’amore, C. Growing Concern Over Estrogen-Like Compounds In US Rivers: The American lifestyle of materialism has left an indelible impression on U.S. waterways, and no one knows the exact repercussions.  Washington (UPI) Oct 18, 2006

Weber KS, Setchell KD, Stocco DM, Lephart ED.  Dietary soy-phytoestrogens decrease testosterone levels and prostate weight without altering LH, prostate 5alpha-reductase or testicular steroidogenic acute regulatory peptide levels in adult male Sprague-Dawley rats.
J Endocrin (2001) 170, 591-599
Dillingham B, McVeigh B, Lampe J,Duncan A. Soy Protein Isolates of Varying Isoflavone Content Exert Minor Effects on Serum Reproductive Hormones in Healthy Young Men. J Nutr. 2005; 135:584-591.
Nagata C, Inaba S, Kawakami N, Kakizoe T, Shimizu H.Inverse Association of Soy Product Intake With Serum Androgen and Estrogen Concentrations in Japanese Men.  Nut Cancer; 2000: 36(1) 14 – 18.
Yates, D. Team to study health effects of botanical estrogens.  Genetic Engineering and Biotechnology News.  http://www.genengnews.com/keywordsandtools/print/2/93377528/

Is Flax the New Soy?  Breast Cancer A to Z.  http://www.a-zbreastcancer.com/articles/aflaxseed.htm

CHIEN HL, HUANG HY, CHOU CC. Transformation of isoflavone phytoestrogens during the fermentation of soymilk with lactic acid bacteria and bifidobacteria.  Food Microbio; 2006: 23(8) 772-778.

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