por Michael Eades, o original está aqui.
Tradução por Daniel Castro.
Se você contar uma mentira grande o suficiente e continuar repetindo-a, as pessoas eventualmente irão acreditar nela.*
Joseph Goebbels (à esquerda)
Ministro Nazista de Propaganda
A história de nossa raça, e de cada experiência individual, são bem costuradas com a evidência de que uma verdade não é difícil de matar, e que uma mentira bem contada é imortal.
Mark Twain, Advice to Youth
Eu sempre amei as duas citações acima por que seus sentimentos são tão precisos. É triste mas é verdade que quanto maior a mentira, mais pessoas se dispõem a aceitá-las sem questionamento. E quanto mais pessoas aceitarem a mentira, mais fácil fica persuadir outros a se juntar à crescente multidão. Deste modo uma grande mentira se torna uma bola de neve até se tornar uma grande ‘verdade.’
Nutricionalmente eu não consigo pensar numa mentira maior que aquela que alega que gorduras em geral e gorduras saturadas em particular são ruins para nós. Esta mentira está tão arraigada nas mentes da maioria que você não poderia arrancá-la com uma banana de dinamite. Especialmente nas mentes dos acadêmicos, e mais ainda nas mentes dos nutricionistas. Nem de todos, mas da maioria. Nutricionalmente, está é verdadeiramente a Grande Mentira.
Apesar do fato que eles se agarram tenazmente à Grande Mentira, as evidências a disputam. Mas, “uma mentira bem contada é imortal.” Em Whole Health Source Stephen Guyenet escreveu recentemente um artigo verificando dados observacionais sobre gordura saturada e níveis de colesterol e doenças cardíacas. A maioria dos devotos da Grande Mentira se preocupam obsessivamente com a ingestão de gordura saturada enquanto os dados observacionais demonstram pouco, ou nenhuma, correlação. Alguns anos atrás, eu escrevi um grande texto sobre a invalidade de estudos observacionais como prova de praticamente qualquer coisa, mas naquele texto eu não mencionei que embora tais estudos não possam demonstrar que correlação implica causalidade, eles provavelmente são válidos em demonstrar o oposto: se não há correlação, provavelmente não bases para se argumentar pela causalidade. Então, se não há muita correlação entre a ingestão de gordura saturada e níveis elevados de colesterol e/ou doença cardíaca, é duvidoso que a ingestão de gordura saturada seja causal [NT.: isto é, que ela cause doenças cardíacas].
Eu recentemente tropecei num artigo – um editorial de pesquisa, para ser correto – no Journal of the American Dietetic Association (JADA) que, se eu já não tivesse uma relação estreita com Jameson, me levaria a beber. De fato ele provavelmente me levou a beber um pouco a mais. Agora o JADA é o jornal editado e escrito por nutricionistas registrados, e, como consequência, tem um estilo de Pesquisa e Desenvolvimento de produtos em termos de conteúdo. Ele geralmente segue a linha low fat, high carb, mas de vez em quando publica alguns artigos sobre aspectos da dieta low carb. O artigo particular que causou minha ardência no coração é intitulado Low-Glycemic Load Diets: How Does the Evidence for Prevention of Disease Measure Up?
O artigo me incomodo em muitos níveis, o primeiro dos quais é que ele cita o índice glicêmico (IG) e carga glicêmica (CG). Eu já escrevi previamente sobre porque eu não acredito que o índice glicêmico seja um modo particularmente válido de caracterizar carboidratos. E eu não creio que o conceito de carga glicêmica seja muito melhor. O que está errado em simplesmente contar carboidratos? Isto provê mais benefícios e não encoraja o consumo de frutose, um açúcar perigoso com um baixo índice glicêmico. O motivo pelo qual o índice glicêmico e a carga glicêmica foram tão adotados pela comunidade acadêmica é porque ela não pode admitir que uma dieta low carb é simplesmente superior para perda de peso, controle de lipídios, redução da pressão arterial, estabilização da glicose no sangue, melhoras de problemas de refluxo estomacal etc. do que sua amada dieta low fat. Então ao invés de terem caráter e admitirem que estavam errados pelos últimos 40 anos, eles embrulham a venerável dieta low carb em baboseiras que soam acadêmicas e a chamam de dieta da carga glicêmica e esperam que ninguém perceba o subterfúgio.
É perfeitamente aceitável conversar sobre benefícios à saúde de dietas com pouca carga glicêmica sem ter ninguém dizendo que você vai ferrar seus rins. Ou que você poderá perder peso, mas vai entupir as suas artérias. Não, a dieta da baixa carga glicêmica é perfeitamente inócua em qualquer companhia. Nenhum acadêmico pomposo vai ter encher o saco se você usar a palavra “glicêmico(a)”. Tente usar o termo ‘low-carb’ nos salões acadêmicos, porém, e você poderá receber alguns olhares hostis.











