Running, ou cavalgada dos autistas: contra a moda do esporte politicamente correto

(Tradução por Marcos Melinas)

por Eduardo Velasco

Primeiro exemplo: X é convencido por um amigo e colega de trabalho para treinar com ele. O esporte em questão é simples: LSD (long slow distance, ou longa distância lentamente). Não se trata de correr sprints rápidos, curtos e violentos, ou um circuito elaborado, com obstáculos, pesos, mudanças de ritmo e direção para melhor exercer todas as possibilidades do corpo humano, mas algo mais simples: uma corrida contínua monótona de cerca de uma hora, quase todos os dias da semana. Este esporte também é barato, mas ultimamente não tanto: malha, tênis de cross, raincoat reflexivo, camisa respirável, pulsômetro, GPS, cronômetro, bebidas isotônicas, óculos de sol, uma bainha de braço para iPod… O esporte tem engendrado indústrias inteiras, endurance shops, a ascensão de marcas anteriormente desconhecidas (Kalenji, Salomon) e o negócio dascorridas populares, em que é necessário pagar para destruir o corpo. Bem, para este esporte que eles chamam de running ou corrida.

Eles deveriam chamá-lo de corrida autista monótono-repetitiva… ou Síndrome de Forrest Gump.
No início ele não aguenta até o final da corrida e há vários trechos onde ele tem que andar e até mesmo parar para respirar. O peito explode, as pernas estão queimando e a rigidez nos dias seguintes é infernal. Há momentos em que a visão fica um pouco turva, ou então enjoado, ou mesmo a barriga embrulhada. Mas depois de um par de semanas, é claro progressa. Não muito tempo depois ele estará participando de meia maratonas, maratonas e competições. Agora ele se sente saudável e em forma: há algo que é bom e agradável. As endorfinas geradas por este exercício o têm viciado, enganchado, anestesiado, colocado. Se ele não pode correr, ele sofre e se inquieta, como um viciado que foi negado uma droga. Correr se tornou para ele um meio para obter sua dose de endorfinas.
Um dia ele recebe um convite em seu celular. Os antigos colegas de classe do instituto vão ficar para jogar um jogo de futebol e depois sair para jantar. Ele vai encantado, em parte ansioso para mostrar seu progresso físico. Mas durante o jogo, ele imediatamente percebe que ele não será capaz de suportar os noventa minutos de jogo. Essas mudanças súbitas de ritmo e direção fazem que suas fibras se estilhaçam, esmagando-se com cada aperto muscular; essas explosões agressivas deixam-no quebrado. Seu pulso e taxa respiratória sobem, ele que pensava que era “fitness cardiovascular”. Nas pausas, é recheado com bebidas isotônicas. Em vez disso, todos os seus companheiros — a maioria dos quais são maiores do que ele, incluso alguns são gordos — realizam o jogo sem muita dificuldade. Suando, respirando, corando… mas mantendo o ritmo. Ele percebe que ele passou muito tempo — anos! — sem fazer um único movimento violento e ameaçador com seu corpo. Leva muito tempo sem fugir e perseguir. Sem atacar e sem defender. Cego pela moda, ele esqueceu que a Natureza é um mundo de luta e de perseguição, súbitos arrebatos de ferocidade, ganchos cheios de raiva e adrenalina, súbitas mudanças de direção e ritmo, e violentos confrontos à vida ou à morte, sempre seguidos por intervalos. Um mundo onde a corrida contínua não tem lugar exceto como uma rara exceção. E que aqueles que não seguem as exigências da Natureza, pagam com a degeneração psicofisiológica de seu organismo.
Ele lembra-se. Quando estava no colégio, subia as escadas de seu apartamento três a três e até quatro por quatro, assim como descia. Agora, no andar de cima, seus tecidos musculares-amortecedores de choque reativo não se contraem com a velocidade e a violência de que precisa, não detectam mais o espasmo nervoso em suas fibras, e escada abaixo o cérebro faz com que seus pés fiquem “arrepiados” com medo, porque todo o golpe é comido pelo joelho… Um joelho cada vez mais indefeso, ossudo e seco, uma vez que a cartilagem da patela está sofrendo um desgaste lento mas alarmante, os tendões estão inflamados e a musculatura protetora do joelho, “estaladoras” da articulação, é quase inexistente. Um dia, ele pega a bicicleta e percebe falta de “nervo” em suas pernas. Ele é incapaz de pedalar em condições. Outros sintomas perturbadores são baixa libido e mãos frias. Fez uma bagunça, ele vai na Internet para tentar encontrar informações sobre o que aconteceu com ele… E encontra: ele contraiu uma condição chamada no anglosfera chronic cardio syndrome. Depois de algumas semanas de leituras e dúvidas, ele decide definitivamente abandonar a corrida contínua e começar musculação e depois artes marciais, enquanto pratica calistenia em um parque.
Somos atléticos, somos desportistas e tal: a estrogenização social tornou o esporte algo suave, macio e politicamente correto.
 Leia o restante aqui.
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Como escrever seus objetivos para o ano novo

por Ludvig Sunström, o original está aqui.

Tradução por Daniel Castro

 

Eu não quero ser um produto de meu ambiente.

. . . e nem você quer.

Eu quero que meu ambiente seja um produto de MIM.

. . . e você também.

Porque eu sinto deste modo eu criei meu objetivo estratégico para 2015 (NT.: mas, surpresa, as estratégias ainda funcionam em 2017). Eu criei duas cópias do meu objetivo estratégico; uma para o meu commonplace e outra em formato físico.

Eu escrevi aquela caso eu quisesse reformular meu objetivo estratégico, e esta simplesmente para criar um investimento psicológico.

Eu sei que você está se perguntando o quê seria um objetivo estratégico. . .

. . .Mas acalme-se, eu te direi em um minuto. Antes, deixe-me perguntar-lhe algo:

Como está sua vida comparada a um ano atrás ou mais?

Resposta: Sua vida provavelmente está diferente. . .

Novos amigos, novo conhecimento, novos hábitos.

Expectativas diferentes, oportunidades diferentes, ideias diferentes.

Mas você provavelmente não percebe totalmente a extensão desta mudança.

Por quê?

É porque . .

Você está imerso no “agora” e seu cérebro não é feito para perceber mudanças lentas e incrementais.

Mas, seu cérebro pode facilmente perceber e experimentar contraste.

Use isto para sua vantagem.

Então, sabe o que eu estive fazendo nos últimos dias?

Notes goal strategic objective

Eu revisei pilhas de notas antigas. Tanto físicas quanto digitais.

Hoje eu revisei alguns documentos antigos de metas em meu computador, de 2 anos e meio atrás.

Eu os descobri em meu antigo –ahem–“sistema de informação de desenvolvimento pessoal”–ahem– feito de pastas categorizadas contendo documentos de texto. O sistema era realmente ineficiente.

Isto foi antes de eu fazer o meu commonplace no OneNote, que é superior em termos de:

a) Facilidade com que consigo armazenar e recuperar informações relevantes

e. . .

b) Como eu pratico e aprendo coisas novas

. . . o que significa:

c) Mais tempo poupado, maior produtividade e maior qualidade de pensamentos.

Além da ruindade do meu sistema de desenvolvimento pessoal antigo, eu também percebi. . .

. . . O quanto eu era horrível

A maioria dos meus objetivos de então agora já são marcos ou hábito há muito atingidos, sobre os quais eu nem mesmo penso sobre. . .

Coisas como não perder tempo no Facebook, mídias sociais, ou notícias e entretenimento.

Ou aprender tal e tal habilidade, comer esta ou aquela comida mais frequentemente, desintoxificar de tanto em tanto tempo através de jejuns, levantar tanto de pesos, e gastar mais tempo com tal e tal tipo de pessoa.

Mas. . . aqueles eram meus limites, expectativas, e objetivos então– e eles eram bem reais para mim na época.

Eu provavelmente rirei do meu nível de objetivos atual daqui a 2 anos e meio.

Assim espero.

Mas agora eu sinto que eles são arrojados e excitantes.

Daqui a um ano eu serei melhor: Mais rápido, duro e forte.

Melhorado.

Eu me sinto confiante em dizer isto porque focarei em meu objetivo estratégico.

Deixe-me dizer-lhe como você pode fazer o mesmo.

Seu Objetivo Estratégico

Seu objetivo estratégico é um documento direto ao ponto onde você descreve especificamente o que você fará para conquistar seus objetivos no próximo ano.

Seu objetivo estratégico é o sistema que garante que você saiba o que fazer, como você fará e quando você o fará.

Seu objetivo estratégico deve ser breve; use até uma página, ou você nem irá relê-lo. . .

. . . o que você irá fazer ao menos uma vez por semana.

E o motivo é que você irá focar no grande panorama, e não no que a Suzana disse na fila do almoço hoje mais cedo.

Ao permanecer focado você será capaz de aprender com seus erros e corrigi-los mais rapidamente do que quando você se desvia de seu caminho e desperdiça tempo ou age inutilmente em coisas que não adicionam valor a seus objetivos.

Seu objetivo estratégico conterá 3 elementos:

  1. Objetivos
  2. Máximas
  3. Melhores práticas

Vamos falar sobre esses três elementos, começando com…

Suas Máximas e Melhores Práticas

Máximas são príncipios guias nos quais você baseia todos seus atos.

Uma pessoa que não tem quaisquer máximas é uma pessoa frágil, fraca e desleixada à qual falta direção na vida.

Uma pessoa que não tem quaisquer máximas irá sofrer com incertidão, ansiedade em tomar decisões e baixa auto-estima.

Uma pessoa que não tem quaisquer máximas sempre irá procurar uma que as tem para guiá-lo(a) em suas ações e comportamento

…Alguém como você.

Suas máximas compõem seu ethos pessoal.

Quando você estiver escrevendo suas máximas para 2017, leve isso em consideração:

Quais são as “verdades” mais importantes para o sucesso que eu conheço?

Exemplos aleatórios: 

  • Contrarianismo: Se todo mundo fizer algo você fará algo diferente e lucrar com a lei do contrate.
  • Terceira lei de Newton: Para toda ação a uma reação igual e contrária (acate a lei da compensação).
  • Consequências de Ordem Superior: Toda ação tem um efeito ondas (NT.: O termo vem de quando uma pedra jogada na água gera ondas sucessivas. As nossas ações geram efeitos em sucessão também). Certifique-se que sejam positivas ao consertar as causas na raiz.
  • Iniciativa Pessoal: Nada é mais importante em negócios e carreira.
  • Não Confunda Causa e Efeito: Assim como no aprendizado, por exemplo. Ler 80 livros é um indicador que você aprendeu muito, mas isso não necessariamente é verdade (quantidade não é um indicador de qualidade).
  • Pratique a Gratidão: Porque é um dos poucos modos fundamentais de ser consistentemente mais feliz.
  • Pratique o Foco ao invés do Multitarefas: Outro modo fundamental de se tornar mais feliz e eficiente.
  • Homeostase: A mudança é encarada como inimiga. Ela não é confortável. Para ser o melhor que você pode ser você tem de inicialmente se FORÇAR a se adaptar.

Agora, vamos falar sobre as melhores práticas.

Melhores práticas são métodos, técnicas e principio para fazer algo que provaram dar resultados superiores.

Uma pessoa que não segue as melhores práticas é. . . Bem uma pessoa _______ .

Ainda assim, a maioria das pessoas não segue – ou sequer têm- quaisquer melhores práticas.

O motivo disso é que são necessários tempo e energia para fazer as coisas de um modo novo, diferente do que você está acostumado.

Qual é o melhor modo de superar este obstáculo?

Bingo. Você adivinhou: Transformando as melhores práticas em hábitos.

Então, quando você se sentar para escrever suas melhores práticas, mantenha isso em mente:

Quais são os hábitos mais importantes (comportamento) e mentalidades [padrões de pensamento] que eu preciso para melhorar minha vida e alcançar meus objetivos?

Exemplos aleatórios:

  • Confira tudo duas vezes.
  • Pratique a pontualidade
  • Relembre e visualize mentalmente o dia seguinte antes de dormir
  • Entregue mais valor do que o necessário e o faça com entusiasmo
  • Não beba álcool junto com comida
  • Medite pela manhã e à noite
  • Não confie na memória de curto prazo; sempre escreva

Suas máximas não são objetivos: elas são princípios que guiarão suas ações para garantir que você progrida sempre de modo apropriado.

Suas melhores práticas podem ser objetivos: elas são comportamentos, pensamentos e ações que você deve praticar sempre para alcançar objetivos e melhorar sua vida.

Algumas vezes há uma fina linha entre uma máxima e uma melhor prática. Mas enquanto você entender seu propósito isto não importa.

Se ajudar– e ajuda para mim– você deve dividir suas máximas e melhores práticas em categorias como produtividade, carreira, fitness e saúde, pensamento preciso, e assim por diante.

O.K. . . agora que esclarecemos isto, deixe-me falar sobre. . . Continuar lendo

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Breve comentário sobre o caso da Alezzia

por Daniel Castro

alezzia

Um resumo desse caso pode ser visto aqui (embora aparentemente o pessoal da empresa tenha provocado uma menina a fazer o tal ataque antes).

Eu não sei se a provocação ou o “contra-ataque” da empresa foram feitos de caso pensado, mas prevejo que a mesma lucrará bastante com o ocorrido. Simplesmente porque a grande maioria das pessoas protestando contra ela não iria comprar seus produtos de uma maneira ou outra. Por outro lado, a campanha de “ataque” atraiu a atenção de muitas pessoas antifeministas, por assim dizer, que da próxima vez que tiverem de comprar móveis lembrarão do caso. Quando se é antifrágil, realmente nenhuma publicidade é má.

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Como consumir gordura pode aumentar sua performance atlética

How Fat Boosts Athletic Performance in linepor Mark Sisson, o original está aqui.

Tradução por Daniel Castro

Algumas semanas atrás, eu explorei os benefícios potenciais de usar a gordura como o combustível principal pode ter em suas funções cognitivas. Enquanto que a pesquisa foca em pessoas com declínio cognitivo relacionada à idade e a doenças neurodegenerativas, e apesar de que o fato que o metabolismo de gordura e cetonas melhore a função cognitiva em adultos saudáveis ainda não seja confirmado, a evidência sugere que ele possa prover benefícios. Hoje, eu discutirei um tópico relacionado e mais solidamente científico: os efeitos da adaptação à gordura na performance atlética.

 Detratores da dieta high-fat, low-carb muitas vezes alegam que elas são ruins para sua performance física. Talvez elas protejam contra alguns tipos de câncer do cérebro, e ajudam obesos e a perderem peso rapida e facilmente, a dieta cetogênica é o padrão ouro do tratamento de epilepsia, mas a adaptação ao consumo de gordura trava severamente sua performance na pista de corrida e na academia.

Mas isso é mesmo verdade?

Enquanto o efeito da adaptação às gorduras sobre a performance anaeróbica é incerto, ela pode na verdade melhorar muitas outras medidas de performance física. Até mesmo para atletas com foco em performance anaeróbica podem receber benefícios, ainda que em parte do tempo.

Vamos falar sobre os benefícios.

Sua eficiência energética melhora.

Adaptação ao consumo de gordura o faz melhor em queimá-la e menos dependente do glicogênio muscular para dar energia a seus esforços. Qualquer quantidade de trabalho que você conseguir usando principalmente gordura ao invés de glicogênio é evidência de eficiência. Conforme o esforço aumente (com dieta apropriada e treinamento ao longo do tempo) e você puder fazer a maior parte dele queimando gordura, você poupa glicogênio para esforços ainda maiores ou para uso posterior no evento (NT.: esportivo).

Em um estudo, atletas de resistência que estavam praticando a dieta cetogênica por uma média de 20 meses queimavam 2,3 mais gordura em oxidação máxima (NT.: ou seja, utilizavam a gordura eficientemente), queimavam 59% mais gordura de modo geral, e em maiores intensidades (70% do VO2max) do que atletas de resistência em dietas “normais”, para os quais a oxidação de gordura era menor e a queima de açúcar dominava em 54,9% do VO2max. Isto significa que a base anaeróbica daquelas atletas era muito maior que a dos atletas convencionais; eles tinham performance superior usando gordura e cetonas. As reservas de glicogênio eram similares em ambos grupos.

Você poderá acessar suas reservas de tecido adiposo.

O glicogênio é ótimo para se ter para atividades intensas, mas não conseguimos guardar muito dele; o mais musculoso dos homens provavelmente tem a capacidade para apenas 600 gramas dele em seu fígado e músculos. O que dá apenas 2.400 calorias. Mesmo atletas magros possuem dezenas de milhares de calorias prontas a serem queimadas em seus tecidos adiposos. Atletas adaptados à gordura podem queimar uma maior proporção de gordura corporal antes de precisarem recorrer às relativamente escassas fontes de glicogênio muscular e hepático, assim preservando-as para uso posterior. Continuar lendo

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Esse bar eu aprovo

por Daniel Castro

Em breve uma postagem nova do Mark Sisson sobre os benefícios atléticos do consumo de gordura, enquanto isso decidi fazer minha boa ação do dia e promover esse bar, de Campo Grande, MS.

bacon

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O Intelectual, porém idiota

Por Nassim Taleb, vi o original pela primeira vez aqui

Tradução por Daniel Castro

O que temos visto pelo mundo todo, da Índia ao Reino Unido ao EUA, é a rebelião contra o círculo interno de “clérigos” sem-pele-no-jogo que fazem as políticas e jornalistas-insiders, aquela classe de especialistas semi-intelectuais paternalistas com educação da Ivy league, Oxford-Cambridge, ou com algum rótulo importante parecido, que dizem ao resto de nós 1) o que fazer, 2) o que comer, 3) como falar, 4) como pensar… e 5) em quem votar.

intelectual-idiota

Mas o problema é que aqueles com um olho seguirem os cegos: os auto-descritos membros da “intelligentsia” não conseguiriam encontrar um coco na Ilha dos Cocos, significando que eles não são inteligentes o suficiente para definir a inteligência e assim caem em circularidades — mas sua principal capacidade é passar provas escritas por pessoas como eles. Com artigos de psicologia sendo confirmados menos do que 40% das vezes, conselhos nutricionais se revertendo após 30 anos de medo da gordura, análises macroeconômicas funcionando menos que astrologia, a nomeação de Bernanke (NT.: ao Federal Reserve) que estava ainda pior que um total desconhecimento dos riscos, com as pesquisas  farmacêuticas replicando na melhor das hipóteses 1/3 das vezes, pessoas estão perfeitamente capacitadas a confiar em seus instintos ancestrais e escutar suas avós (ou Montaigne e tal conhecimento clássico filtrado) com um histórico melhor do que o desses valentões que fazem políticas.

De fato podemos ver que esses burocratas-acadêmicos que se sentem no direito de ditar nossas vidas não são sequer rigorosos, quer seja em estatísticas médias ou em geração de políticas. Eles não podem diferenciar ciência de cientifismo —  de fato a seus olhos esta se parece mais científica que aquela. (Por exemplo é trivial demonstrar o seguinte: muito do que os tipos Cass-Sunstein-Richard Thaler  (NT.: autores do livro Nudge)— aqueles que querem “empurrar” a nós a algum tipo de comportamento — muito do que eles classificariam como “racional” ou “irracional” (ou alguma dessas categorias indicando um desvio do protocolo desejado) vem de seu entendimento falho da teoria da probabilidade e uso cosmético de modelos de primeira ordem.) Eles também são propensos a confundir o conjunto pelo agregamento linear de seus componentes conforme vimos no capítulo que estendia a regra da minoria. (NT.: regra da minoria refere-se ao fato de que uma minoria determinada acaba submetendo a população geral às suas vontades, há um artigo em inglês do mesmo autor aqui.)

O Intelectual Porém Idiota é um produto da modernidade que está portanto sendo mais produzido desde meados do século XX, para alcançar seu supremum hoje em dia, junto à ampla categoria de pessoas sem pele-no-jogo que invadiram tantos aspectos da vida. Por que? Simplesmente, na maioria dos países, o papel do governo é de 5 a 10 vezes maior do que era há um século (expresso em porcentagem do PIB). O IPI parece ubíquo em nossas vidas mas ainda assim são uma pequena minoria e raramente são vistos fora de publicações especializadas, think tanks, a mídia, e universidades — a maioria das pessoas têm trabalhos de verdade e nesses não há muito espaço para os IPI’s.

Fique atento ao semi-erudito que pensa ser um erudito. Ele não consegue detectar sofismas naturalmente.

O IPI patologiza outros por fazerem coisas que eles não entendem sem jamais perceber que é seu entendimento que pode ser limitado. Ele pensa que pessoas deveriam agir de acordo com seus melhores interesses e que ele conhece seus interesses, particularmente se eles forem “red necks” ou ingleses que votaram pelo Brexit. Quando os plebeus fazem algo que faz sentido para eles, mas não para ele, o IPI usa o termo “ignorante”. Para o que nós geralmente chamamos de participação no processo político, ele tem duas designações: “democracia” quando se encaixa ao que eles quer, e “populismo” quando os plebeus ousam votar de um modo que contradiz suas preferências. Enquanto que pessoas ricas acreditam em um dólar de impostos – um voto, humanistas em um homem um voto, a Monsanto em um lobista um voto, o IPI acredita em uma graduação da Ivy League (NT.: ou em Federais no Brasil…) um voto, com alguma equivalência para as escolas estrangeiras de elite e PhDs conforme esses forem necessários no clube.

Mais socialmente, o IPI assina a New Yorker. Ele nunca xinga no twitter. Ele fala em “igualdade racial” e “igualdade econômica” mas nunca saiu para beber com um taxista imigrante (novamente, não têm pele em jogo no real já que o conceito é estranho ao IPI. Aqueles no Reino Unido foram enganados por Tony Blair. O IPI moderno já foi a mais que um TEDx talks pessoalmente ou assistiu mais que dois TED talks no Youtube. Não apenas ele votará na Hillary Monsanto-Malmaison porque ela parece elegível ou alguma lógica circular do tipo, mas ele diz que qualquer um que não o fizer está mentalmente doente.

O IPI tem uma cópia da primeira edição de A Lógica do Cisne Negro em sua estante, mas confunde a ausência de evidência com a evidência de ausência. Ele acredita que Organismos Geneticamente Modificados são “ciência”, e que a “tecnologia” não é diferente de cruzamentos convencionais devido à sua prontidão em confundir ciência com cientificismo.

Tipicamente, o IPI entende a lógica de primeira ordem bem, mas não efeitos de segunda ordem (ou superiores) fazendo dele alguém totalmente incompetente em domínios complexos. No conforto de sua casa suburbana com 2 carros na garagem, ele pede a “remoção” de Kadhafi porque ele era um “ditador”, não entendo que remoções têm consequências (lembre-se que ele não tem pele em jogo e não paga pelos resultados).

O IPI esteve errado, historicamente, sobre o Stalinismo, Maoismo, OGMs, Iraque, Líbia, Síria, lobotomias, planejamento urbano, dietaa low-carb, aparelhos de academia, comportamentalismo, gorduras trans, freudianismo, teoria de portfólios, regressão linear, Gaussianismo, Salafismo, modelamento de equilíbrios estocásticos dinâmico, projetos habitacionais, genes egoístas, Bernie Madoff (antes da casa cair) e valores-p. Mas está convencido que sua posição atual é a correta.

O IPI é membro de um clube para conseguir privilégios de viagens; se for um cientista social ele usa estatísticas sem saber com elas são derivadas (como Steven Pinker e psicolofastros (NT.: uma junção das palavras psicólogo e filosofastro) em geral); quando no Reino Unido, ele vai a festivais literários; ele bebe vinho tinto com filé (nunca branco); ele pensava que a gordura era prejudicial e agora reverteu totalmente esse pensamento; ele toma estatinas porque o médico dele mandou; ele não entende ergodicidade e quando ela é explicada a ele, ele esquece cedo ou tarde; ele não usa palavras iídiches mesmo quando falando sobre negócios; ele estuda gramática antes de falar uma linguagem; ele tem um primo que trabalhou com alguém que conhece a Rainha; ele nunca leu Frederic Dard, Libanius Antiochus, Michael Oakeshot, John Gray, Amianus Marcellinus, Ibn Battuta, Saadiah Gaon, ou Joseph De Maistre; ele nunca ficou bêbado com russos; nunca bebeu até o ponto quando pessoas começam a quebrar copos (ou preferencialmente, cadeiras); ele sequer sabe a diferença entre Hécate e Hécuba (o que no popular seria algo como“não diferencia Merdex de Rolex”); ele não sabe a diferença entre “pseudointelectual” e “intelectual” na ausência de pele em jogo; ele mencionou mecânica quântica duas vezes ao menos nos últimos cinco anos em conversas que não tinham nada a ver com física.

El sabe em qualquer ponto do tempo o que suas palavras ou ações estão fazendo à sua reputação.

Mas um indicador muito mais fácil: ele sequer faz o levantamento terra.

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E as leguminosas?

Legumes in linepor Mark Sisson, o original está aqui

Tradução por Daniel Castro

Eu nunca gostei muito de leguminosas quando era pequeno. Enquanto crescia, feijões eram a fruta mágica que fazia você peidar.” Eles existiam em um estado quântico: eram seus aliados nas guerras pela retaguarda do jardim de infância e sua ruína durante encontros com aquela garota bonita da aula de história. Mas essas questões eram bem superficiais. Eu nunca falei muito contra leguminosas. Meu foco sempre foi evitar de comer grãos.

Lá atrás, eu classifiquei feijões, lentilhas e outras leguminosas como “aceitáveis”. se você queria comê-las e tinha calorias advindas de carboidratos ainda por consumir, elas eram uma escolha decente. Flatulência de lado, elas são relativamente nutritivas e vêm com uma boa dose de fibra prebiótica para sua flora intestinal (daí vem os gases).

Hein? Você pode estar uma dessas duas reações:

O Sisson diz que as leguminosas estão de volta ao cardápio, caras! vamos comer uns burritos!

O Sisson acabou de colocar as leguminosas na base da pirâmide alimentar paleo! Ele se vendeu para o Big Beans! Peguem-no!

Antes de mais nada, deixe-me explicar.

Stephan do Whole Health Source escreveu um artigo interessante alguns anos atrás alegando que caçadores coletores do paleolítico usaram (e ainda usam) leguminosas selvagens.

Stephan cita diversos exemplos:

Os !Kung San do sul da África, que em regiões de clima ameno comem grandes quantidades de feijões selvagens tsin. Esses feijões tem cerca de 1/3 de gordura, proteínas e carboidratos, uma mistura de amendoins com feijões comuns.

Os aborígenes australianos, que comem muitas sementes de acácia. Hoje em dia, a fibra de acácia é um suplemento pré-biótico popular, mas a semente integral era uma leguminosa  que provê bastante proteína, gordura, e calorias para os habitantes nativos.

As tribos do sudoeste americano, que comiam as leguminosas com alto teor de amido da árvore bardana.

Os Neandertais das caverna Shanidar, Iraque e Spy, Bélgica, cujos fósseis das arcadas dentárias continham resíduos de leguminosas selvagens relacionados a ervilhas e feijões-fava.

Em relação aos neandertais, eu duvido que as leguminosas formavam uma grande parte de suas dietas; eles eram bem conhecidos por serem fãs de carne. Eu não sei se elas deveriam formar uma parte significativa de sua dieta, também. Mas as leguminosas estavam lá. Como eu dissera, alguém teve de tropeçar nas variantes selvagens e domesticá-las.

Certo, nesse sentido, leguminosas são “Primais.” Há um precedente ancestral.

Mas isso não é suficiente para sancionar seu uso. Nós não queremos voltar 100% ao paleolítico aqui. Nós pesquisamos antropologia para formular hipóteses, mas os checamos à luz de evidências científicas.

O que a pesquisa diz sobre o consumo de leguminosas? Elas não têm muitos anti-nutrientes?

Eu me refiro a lecitinas e ácido fítico. Eu mencionei-os principalmente como motivo para evitarmos grãos e nozes em excesso, mas eles também se aplicam a leguminosas. Nenhuma planta que se respeita quer que suas sementes sejam comidas e totalmente digeridas, afinal de contas.

Lecitinas definitivamente são anti-nutrientes. Estudos demonstram que elas podem danificar a parede intestinal, e que elas previnem que o corpo conserte o dano. Se elas chegarem à corrente sanguínea, elas podem se ligar a membranas celulares pelo corpo, causar reações auto-imunes, e danos bem graves. Pessoas já foram hospitalizadas devido a envenenamento por lecitinas.

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