O que Bebês Podem nos Ensinar sobre Agachamentos

por Fame Boy.

Tradução por Daniel Castro

(NT.: cheguei a esse texto após uma discussão particular sobre o levantamento terra. De fato, num texto relativamente antigo sobre este último exercício eu coloquei a foto abaixo inapropriadamente. Agora a tradução desse texto traz uma análise interessante sobre a imagem, e decidi retificar o engano com essa breve mas importante discussão sobre biomecânica)

Caso você não tenha visto tal imagem ainda, lá vai:

Então o que podemos aprender com ela?

Não muito na verdade, exceto que diferentes proporções levam a agachamentos diferentes (e levantamentos de pesos em geral). O que a imagem não aponta é que bebês tem pernas relativamente curtas, e troncos longos, o que os torna agachadores naturais. Além disso, suas juntas ainda estão mais “abertas” do que as de adultos. Conforme envelhecemos nossas juntas ficam mais justas – o que não é algo ruim, pois elas ficam mais protegidas contra lesões. Bebês, também não têm um histórico de lesões e desgaste do corpo.

Então, o que ele está tentando me dizer? Proporções são a pedra angular da análise de movimentos. Não espere agachar como um bebê se você tiver um tronco curto e pernas longas (proporções boas para o levantamento terra), e não espere ser bom no levantamento terra, se você tiver pernas curtas e um tronco longo (e talvez braços curtos também). Quase todos os formatos corporais têm vantagens e desvantagens – treine em ambas de um modo inteligente para evitar tentar colocar uma peça quadrada num buraco redondo. O agachamento por exemplo pode ser desafiador para pessoas mais altas e sua forma muitas vezes parecerá estranha.

Lamar Gant provavelmente era horrível em flexões plantando bananeira, mas cara, ele era bom no levantamento terra:

Lamar Gant has long arms

Lamar Grant tinha braços longos

Isso não tem nada a ver com agachamentos em si, mas ilustra o ponto sobre proporções melhor do que qualquer outra foto que já vi.

Somente pesquisar sobre grandes atletas e copiar seus estilo não funcionará para a maioria das pessoas. Ao invés disso analise seu próprio corpo e talvez se movimente de uma forma totalmente diferente do restante do pessoal.

E pelo amor de Deus – parem de postar essas fotos toscas nas redes sociais, ok?

 

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Escola é para tolos: 10 razões pelas quais o sistema educacional é um fracasso

por Ludvig Sunström, o original está aqui.

Tradução por Daniel Castro

O sistema educacional está em frangalhos, e está assim há um bom tempo.

Isto não é estranho. Coisas velhas quebram ou ficam obsoletas todo o tempo. Por que com isso deveria ser diferente?

O que é estranho é que a maioria das pessoas, ainda mantêm uma fé inabalável nas virtudes e validade da educação pública.

Esta é a primeira de uma série de artigos sobre educação e autodidatismo.

A Educação é Importante; a Escolaridade não

A educação é importante e será cada vez mais importante.

A educação formal (educação pública e doutrinação) é simplesmente ruim. É o remanescente de um sistema que se tornou obsoleto há várias décadas.

O ensino formal costumava servir a um propósito – como o apêndice dentro do corpo humano – mas agora é prejudicial para o sucesso do indivíduo.

Muitos aspectos da educação pública são problemáticos. Por exemplo, a utilidade do sistema de notas é discutível. Ele desincentiva o desempenho criativo e extraordinário (que é o sinal de sucesso no mundo real).

E, muitas vezes, o sistema de classificação é simplesmente errado. . .

Como quando a redação de George Orwell não se qualificou para os “Altos Padrões” do sistema educacional.

É uma história engraçada.

Você conhece Michael Crichton? Ele é o cara que escreveu Jurassic Park (o livro), entre outras coisas. Ele era esperto pra caramba. Infelizmente ele está morto agora.

Crichton começou a escrever cedo na vida. Ele demonstrou talento desde o início e conseguiu se sustentar por durante a faculdade de medicina meio da escola Med ao escrever contos usando pseudônimos.

Quando ele tinha 18 anos, ele fazia aulas de redação em Harvard, onde recebeu um C-em um texto. O que o confundiu, porque ele achava que esse texto era um dos melhores que ele já escrevera.

Não só o C- deixou Crichton com raiva, mas ele real e seriamente, acreditava que seu professor era incompetente e incapaz de pensar por si mesmo, fora dos critérios de notas. Para testar se essa hipótese estava correta, Crichton decidiu fazer algo arriscado: ele entregou um ensaio bem conhecido escrito por George Orwell… e colocou seu próprio nome nele!

Isso era 100% plágio – Crichton copiou o texto palavra por palavra e, se fosse descoberto, seria expulso de Harvard.

Quando chegou a hora da classificação deste novo ensaio, ele recebeu um B-.

 

Parece que a escrita de George Orwell não era boa o suficiente.

Isto te faz pensar: o que seria bom o suficiente?

Como diabos você mereceria um A?

Crichton estava realmente confuso agora.

Eu posso entender isso, porque eu também me senti muito confuso muitas vezes durante meus anos de escola.

. . . começando com quando eu era criança, e não havia nem mesmo notas para se preocupar!

 

Ludvig de 8 anos é “Colocado em seu lugar”

Quando eu estava na segunda série, eu tinha uma competição amistosa com um colega de classe. Nós competíamos sobre quem poderia resolver mais problemas de matemática a cada semana.

Nossa turma tinha 60 crianças (consistindo de 3 faixas etárias, com idades entre 7 e 9 anos) e, por algum motivo, eu e meu amigo éramos os únicos bons em matemática.

Em nosso primeiro ano (7 a 8 anos), passamos a fazer exercícios de livros de matemática para crianças de 10 anos de idade.

Um dia, eu provoquei meu amigo por ser lento porque eu tinha feito 10 páginas mais do que ele. Meu amigo disse que ele não se importava, “porque ele ainda estava anos à frente de todo mundo.”

Nossa professora de matemática estava por perto quando ele disse isso, e ela ficou LOUCA (eu não sei porque, ninguém mais se importava).

 

Ela fez um escândalo e nos envergonhou na frente da turma toda.

“Então, vocês acham que são inteligentes só porque estão fazendo matemática para pessoas mais velhas do que a sua idade, hein !?”

“O que você achariam se eu tirasse seus livros – huh !? Vocês não gostariam muito disso, certo?

Ficamos realmente muito amedontrados e imploramos: “Não, por favor, não tire nossos livros!”

“Sim, é isso o que eu pensei!”

“Eu realmente deveria tomar seus livros – isso ensinaria a pessoas que se acham como vocês, os colocaria em seus lugares. Mas eu vou deixar vocês ficarem com eles se vocês pedirem desculpas a todos os outros da classe por se gabar e ferir seus sentimentos! ”

Meu interesse em matemática quase morreu por lá.

[14 anos depois e estou no final dos meus anos escolares quando. . .]

 

Uma orientadora de tese universitária passiva-agressiva tenta impedir que Ludvig, de 22 anos, de conseguir um emprego auspicioso em sua carreira de marketing

Quando fiz meu projeto de tese, tive que lutar contra uma orientadora acadêmica semi-hostil.

Nós tínhamos incentivos conflitantes:

Eu queria aprender coisas úteis, adquirir contatos comerciais valiosos e obter o melhor trabalho inicial em marketing possível.

Ela queria que minha tese estivesse de acordo com os “padrões acadêmicos” (que fosse escrita em um estilo quase acadêmico, citando pessoas cujo emprego era se masturbar em poltronas) e – é claro – para ser tão fácil de dar notas quanto possível.

Isso me deixou com raiva, porque eu tinha me esforçado pra caramba para conseguir um trabalho de tese para uma empresa de marketing de primeira linha, o que acabou sendo um sucesso, mas não graças à minha universidade.

Tomei mais iniciativa do que todo o resto de minha turma combinada e senti que deveria ser recompensado por isso. O mínimo que a universidade poderia fazer era ficar fora do meu caminho. Em vez disso, eles colocaram obstáculos.

Eu acho que eles não querem que os estudantes arranjem empregos.

Minha orientadora não deu qualquer ajuda. Se fez algo, foi tentar sabotar o início de minha carreira.

Olhando para trás sobre isto agora, eu não me importo. Mas conforme eu reflito sobre a situação, ela realmente joga luz num dos grandes problemas subjacentes à universidade…

A “Institucionalização do Conhecimento” e seus Problemas

A universidade supostamente seria um ponto de verificação final em relação à vida profissional: ela existiria para treinar e capacitar os jovens para conseguir os empregos que desejam; não recrutá-los para as fileiras acadêmicas.

Infelizmente, isso é exatamente o que aconteceu (e sempre acontece quando algo se torna institucionalizado).

Como um estado leviatã, o interesse da universidade não é mais principalemente servir ao povo – por isso é que ela fora criada -, mas servir a ela própria, e garantir que a máquina “permaneça viva”, com suas engrenagens girando.

Uma das principais maneiras pelas quais as universidades fazem isso é forçando os alunos a desperdiçar seu tempo escrevendo teses (que ninguém lê ou se preocupa com).

Isto é realmente um rito de passagem de merda antes da entrada na vida profissional

Precisamos de um novo [sistema] que seja adaptado para o século 21!

Por que forçar atividades chatas e sem valor agregado para aqueles que não querem se juntar à “instituição do conhecimento”?

A universidade está agora fortemente desconectada da demanda do mercado de trabalho.

A faculdade e a universidade podem ser um bom lugar para você se descobrir, mas não é um bom lugar para arranjar um emprego.

Como meu amigo Kyle Eschenroeder escreveu alguns anos atrás:

“Você deve ir para a faculdade para descobrir o que você quer fazer, do que você gosta. Quando entrei para a faculdade, eu estava interessado principalmente em três coisas: idéias libertárias, negociação e fazer filmes. Após me formar, essas ainda são as coisas mais interessantes para mim e nenhuma foi aprimorada pela minha carreira universitária. Na verdade, sou um especialista em economia e minha capacidade de entender o que está acontecendo no mundo é quase que totalmente graças à internet e à vontade de ler, e não às bostas de livros didáticos deles.

Meu diploma de Economia é como minha pontuação SAT, as pessoas podem olhar para ele e dizer: “bem, ele pulou bem alto“. Mais e mais empresas, especialmente as que valem a pena trabalhar, estão analisando o que você pode fazer, o que você realmente criou. ”

Eu me formei com mestrado em negócios e adivinhe?

–Eu nunca vou ter usar isso para nada!

Por quê?

Porque a iniciativa é melhor do que “saltar bem alto” todos os dias da semana.

Agora, deixe-me dizer-lhe

10 razões Pelas Quais o Sistema Escolar é um Fracasso

1. O sistema escolar foi criado para o século XVIII
2. A escola ensina você a se encaixar… numa economia obsoleta!
3. A escola te transforma em um conformista maricas
4. A escola destroi a vontade da maioria das pessoas de aprender mais
5. A escola não faz nada para cultivar o autoconhecimento
6. A escola faz pessoas de outro modo independentes se transformarem em peões dependentes
7. A escola está cheia de propaganda (NT.: informações parciais)
8. A escola não ensina você a pensar corretamente e desenvolver seu próprio estilo através da síntese
9. A escola te infunde com um sentido de sem base de certeza de onde você tira um “Falso Conhecimento”
10. A escola impõe um monte de regras falsas para você que o prejudicam no mundo real

Começando com a razão # 1 …

 

Razão #1: O sistema escolar foi criado para o século XVIII!

É difícil definir quando e onde o ensino público começou, mas a primeira vez que a educação pública foi organizada de forma coesa para atender às necessidades de um país inteiro de forma bem-sucedida foi na Prússia, sob Frederico, o Grande, em 1750.

Confiar ao governo o poder de determinar a educação que nossos filhos receberão é confiar aos nossos servos o poder do mestre.

– Frederico, o Grande

Sistema Educacional de Frederico na Prússia:

Frederico transformou a Prússia em um estado socialista com economia planejada. O país era tão burocrático que as mulheres tinham que registrar a data exata do período menstrual a cada mês para o estado.

O objetivo da educação pública da Prússia era capacitar os cidadãos para os empregos que o governo decidiu serem importantes para o futuro do país.

Lembre-se, esta era uma economia planificada (não um livre mercado) e:

1. A economia, naquela época, era bastante simples e mais
2. A população da Prússia era pequena o suficiente para um grupo de pessoas altamente inteligentes “planejar com antecedência”. Frederico e seus administradores podiam fazer projeções razoavelmente precisas e decidir que “precisamos tantos e tantos trabalhadores para essa ou aquela função”.

Sistema Educacional de Napoleão na França:

Cerca de 50 e poucos anos depois, Napoleão notou o sucesso do sistema educacional de Frederico e decidiu copiá-lo para a França, com alguns pequenos ajustes.

Por exemplo, Napoleão queria que seu sistema educacional:

1. Treinasse pessoas competentes (líderes militares, cientistas e engenheiros) para seu exército e administração.
2. Doutrinasse os cidadãos para serem obedientes e patriotas (e tomar o poder da igreja Cristã para o estado).

Como Frederico, seu sistema também foi um enorme sucesso – para seus propósitos pretendidos. A habilidade com a qual os engenheiros de Napoleão construíam pontes, fossos e outras estruturas de guerra era incomparável na época.

O sistema de educação do atual mundo ocidental :

Depois de perceber o óbvio sucesso da Prússia e da França, muito devido a seus sistemas educacionais, o resto do mundo ocidental acabou copiando sua abordagem, com pequenos ajustes por conta própria.

Essa mudança ocorreu durante os estágios iniciais do industrialismo, e assim a maior diferença entre os sistemas educacionais prussiano e francês e os sistemas de educação ocidentais tinha a ver com o treinamento da população para coisas novas como:

1. Trabalho de chão fábrica
2. Trabalho gerencial (fora da administração pública)
3. Investigação científica (as origens dos campos STEM (NT.: Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (em inglês Science, Technology, Engineering, and Mathematics))).

A maior invenção do século XIX foi a invenção do método da invenção.

Alfred Whitehead.

Do alto da sua cabeça, você provavelmente pensará instintivamente sobre o trabalho administrativo e a investigação científica. Mas essas áreas receberam talvez 10% de foco cada, enquanto o treinamento de pessoas em trabalhos de fábrica recebeu cerca de 80% do foco.

Por quê? Porque o trabalho de fábrica era de longe o mais importante para a economia na época, e ele não é realizado naturalmente.

Assim, muito da educação pública tinha a ver com o que agora chamamos de escolarização (disciplinando e doutrinando) de pessoas em trabalhadores de fábrica obedientes e confiáveis.

Você sabe, coisas como …

Ficar sentado em filas indianas, levantar a mão antes de se dirigir ao professor, pedir permissão para fazer XYZ. Seguir as regras.

E assim, aqui estamos nós hoje!

Razão #2: A escola ensina você a se encaixar… numa economia obsoleta!

Veja educação pública pelo que ela é: um sistema para treinar tantas pessoas quanto possível em profissões razoavelmente voltadas para o futuro.

Funcionou muito bem para Frederico, o Grande e Napoleão. Também funcionou para muitos países ocidentais durante a industrialização (embora possa não ter sido a experiência mais agradável [para os alunos]).

Hoje ela não funciona bem, porque o mundo está mudando muito mais rápido do que mudava antes. A Internet, a inteligência artificial, a robótica e essas coisas estão tornando muitos setores obsoletos. O sistema escolar não consegue acompanhar.

Como você pode projetar quais tarefas treinar os trabalhadores da próxima geração, se você não consegue projetar o que acontecerá em muitos setores daqui a cinco anos?

A escola hoje é ótima se você quiser ser:

Balconista ou caixa
Motorista de caminhão
Médico ou enfermeiro
Zelador ou caseiro
Um monte de tipos de trabalhadores de escritório, agentes administrativos, contadores de números ou gerentes de nível intermediário.
Eu não sei sobre você, mas eu não estou particularmente interessado em manter um desses trabalhos.

Eu não tenho fé no sistema, então eu trabalho duro para criar meus próprios sistemas.

 

Razão #3: A escola te transforma em um conformista maricas

—É uma pena que quase todos os vencedores são “do contra” de uma forma ou de outra!

Conformistas maricas tem que fazer o que outros dizem. Eles têm que obedecer ao líder e pedir permissão para ir ao banheiro. Eles têm que assistir programas de TV estúpidos e memorizar os nomes dos participantes do American Idol para acompanhar os recentes acontecimentos da cultura popular.

Não é nada menos do que prostituição intelectual corromper o seu número de Dunbar para ser igual aos outros e, ao fazê-lo, viver numa hiperrealidade coletiva, em vez de escolher criar a sua própria realidade.

Conformistas maricas não conseguem definir o ritmo ou a trajetória para os projetos em que trabalham. O membro mais lento do grupo “decide” isso. A corrente só é tão forte que seu elo mais fraco.

sissy conformists slowest member of the group sets the pace

In school, winners have to carry the losers, and for the winner to get his superior ideas picked he has to rely on the consensus decision of the group, rather than the merit of the idea.

Na vida real, os vencedores são aqueles que se atrevem a fazer coisas interessantes que se destacam e contrariam a opinião popular.

Na escola, os vencedores têm que carregar os perdedores, e para o vencedor ter suas idéias superiores escolhidas ele precisa confiar na decisão consensual do grupo, e não no mérito da ideia.

[Leia também: 10 Ways to Be Different and Profit from Contrast.]

Razão #4: A escola destrói a vontade da maioria das pessoas de aprender mais

A escola é prisão para crianças, adolescentes, e jovens adultos.

— Uma prisão mental.

O homem com o nome mais difícil do mundo – Mihaly Csikszentmihalyi – explica exatamente como ela funciona em seu livro Flow:

Muitas pessoas desistem de aprender depois de saírem da escola porque treze ou vinte anos de educação extrinsecamente motivada ainda é uma fonte de lembranças desagradáveis.

Isso QUASE aconteceu comigo!

Eu pensava que não gostava de aprender coisas até aos 20 anos. Depois, percebi que ser um aluno da escola tem pouco a ver com o processo de aprendizagem ou com o sucesso no mundo real. Foi quando resolvi resolver o problema e decidi que eu faria as coisas do meu jeito ou iria embora. Foi a melhor decisão que já tomei.

O truque é criar sua própria estrutura de aprendizado e aprofundar o conhecimento em seus próprios termos. Você vai adorar quando o aprender.

(Isso será explicado em um artigo futuro)

Razão #5: A escola não faz nada para cultivar o autoconhecimento

A Educação ou é para a domesticação ou para a liberdade.

João Coutinho

Em um episódio recente de 25 Minuter, meu podcast com Mikael Syding, dissemos que a metacognição é a característica mais comum que pessoas de sucesso têm em comum.

Homens sábios por milênios estiveram de acordo sobre isso – desde dos que remontam à Grécia Antiga. O propósito da educação é trazer o autoconhecimento.

A escola não faz nada para ensinar ou incentivar a metacognição ou o autoconhecimento. E por que deveria? Não é para isso que ela foi feita. Nunca foi!

O mais próximo que você consegue é de tarefas relacionadas a “análise” ou “avaliação crítica” de algum assunto. Mas, pelo menos na minha experiência, isso é apenas para inglês ver. Sempre que eu explorava seriamente qualquer coisa, sempre obtinha notas mais baixas, como Crichton. (Mas eu sempre fazia isso de qualquer maneira porque eu não conseguia evitar.)

De qualquer forma, faz sentido que as coisas sejam assim. Os grandes industriais do século XIX não queriam pensadores independentes; eles queriam gerentes confiáveis ​​e trabalhadores precisos. O sistema escolar ainda é construído para produzir pessoas assim – pessoas que sabem como calcular, mas não como pensar.

Pessoas com alta metacognição – do tipo que, com o passar do tempo, desenvolvem um forte autoconhecimento – tendem a ter sucesso apesar de sua escolaridade; não por causa dela.

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Principais Erros de Iniciantes nos Treinamentos.

por Bill Kazmaier, originalmente postado no Legado Realista.

Revisão por Daniel Castro.

Com um tempo sobrando de leve aqui domingo a tarde, antes de enviar sinais hostis de fumaça negra para a tribo vizinha, resolvi criar essa lista subjetiva dos principais erros, atrasos, equívocos comuns, que mais vejo iniciantes cometendo. Iniciantes podem ser tanto neófitos com 6 meses de treino quanto guaipecas com 5 anos de treino no lombo praticamente sem evolução, o tempo realmente não diz nada sobre experiência e eficiência. Essa lista vale pros mais variados objetivos no treinamento, seja força máxima, hipertrofia, explosão, suporte com pesos pra outra modalidade e etc. É claro que alguma coisa listada não compactua com certos objetivos, mas no geral a maioria se encaixa na lista. Ao menos é o que vejo corriqueiramente. Então se puder aproveitar alguma coisa aqui escrita, aproveite. E se não gostou CLIQUE AQUI

1 – Falta de uma progressão controlada. Esse é o principal limitador. Se não forçar o corpo a se adaptar a novos estímulos, ele jamais vai se tornar forte ou grande, vai ficar na mesma merda de homeostase sempre. É claro que nos primeiros meses de treino qualquer bolhufa funciona fazendo de qualquer jeito, afinal o neófito era, em sua maioria, ou um quadro de bicicleta, ou um gordinho tetudo com o rego de fora. Como não tinha como baixar o nível que já estava no fundo do poço, então qualquer coisa funcionava. Mas chega um ponto onde fazer de qualquer jeito não funciona e é preciso esquematizar um plano de acordo com as próprias demandas de recuperação. A maioria chega la na “cadimia” faz o que der na telha, ou faz seu treininho de blog fitness pink anotado numa caderneta da Hello Kitty, e não mantém uma consistência ao longo do tempo. É PRECISO MANTER UMA LINEARIDADE. Cada treino é a continuidade do anterior, depende do controle do stress, mas esse assunto é longo e assunto pra daqui alguns anos. Progressão não significa apenas aumento de peso, pode ser aumento de reps, aumento do volume geral do treino, mais velocidade e melhor forma com o peso anterior, e assim por diante. Existem muitas formas de progredir. Apenas controle isso de forma eficaz, anote todos os pesos, reps, series, variações, planeje o treino, e assim poderá seguir evoluindo.

2– Técnica horrível nos movimentos. A maioria dos iniciantes juvenis nem se quer treinam agachamento ou levantamento terra, que são movimentos que exigem muita técnica. Mas até mesmo nos outros movimentos simples com peso livre, como remadas, bíceps com barra, abdominais e etc…a técnica é pavorosa. E o pior de todos: o supino. Quando vejo um pangaré descendo a barra pra trás nas tetinhas , forçando uma rotação externa excessiva dos deltoides, chega me doer as bolas, pois é questão de tempo pra causar dores e lesões no manguito rotador. É claro que existem exercícios pra determinados esportes como o arm wrestling, que os entusiastas médios de academia fitness considerariam roubar, mas não é porra nenhuma, é o movimento que é viável pra conseguir certas capacidades. 
A questão aqui não é “roubar” e sim o que pode lesionar. Se machucar, pra recuperar vai demorar, e o progresso vai miar (rimou essa merda). Então trata-se de aprender técnicas que não causem lesões e que sejam eficientes pro objetivo. Portanto, enquadrem-se e pesquisem.

3– Muitos movimentos de “press” e poucos de “pull”. É praticamente unanimidade entre iniciantes haver um desequilíbrio no volume de treino para a cadeia anterior e a posterior. Fazem todo tipo de movimento de empurrar, supino na maquina estofada e rosa, supino com halteres, supino inclinado, declinado, supino 75, 76, 77º, supino com borrachinhas, flexões, supino de novo, desenvolvimento com halteres sentado num banquinho redondo e fofo, desenvolvimento na nova máquina tri-legal, e assim por diante. Em compensação os movimentos para a cadeia posterior são quase nulos ou com baixo volume. Aprendam uma coisa, a cadeia posterior é o que estabiliza tudo, é o que dá força em muitos movimentos, então se quiserem ser fortes um dia, equalizem o volume das cadeias. Se fizerem 100 reps por semana de movimentos de empurrar, façam no mínimo 100 reps de movimentos de puxar. 

4– Falta de treino para os membros inferiores. Iniciantes na maioria das academias Bambi-Fit BR montam seu “projeto carnaval micareta uhuul” e fazem o treino com 150 exercícios pra braços e peito, e de vez em quando alguma coisa para as costas. Quase nunca treinam pernas e o core, e se treinam é com movimentos de bailarinas de cancã do tal treino funcional, ou algumas técnicas cagadas de crossfit, que são hilárias (recomendo assistir vídeos de crossfit quando quiserem uma comédia para boas gargalhadas). Tenho uma notícia: JAMAIS alguém será forte se não treinar e muito o lower body. Agachamentos pesados, deadlifts e variações, remadas pesadas com barra, bem como movimentos de strongman se for possível praticar, é o que te farão forte e com um core quase indestrutível ao longo do tempo. Sem falar que o desgraçado que não treina lower body, parece uma merda de um picolé.

5– Usar cinto pra tudo. Iniciantes acham que estão protegendo a sua frágil e miúda coluna usando o cinto, ou cinturão de proteção. Instruídos pelos mais fudidos “profissionais” de Ed. Física, usam o cinto até pra ir cagar por medo de ter uma hérnia enquanto senta no pinico. Usam pra movimentos com halteres com peso de fisioterapia, roscas bíceps, “agachamento” naquele lixo de smith, elevações laterais com 5 kg em cada mão, e em todo o tipo de isolador. O cinto padrão de academia fitness é quase que inútil, como já foi discutido em outro tópico.
Mas mesmo se tiver um cinto de verdade, NÃO use ele se quiser ter um core forte, e se quiser evitar lesões. A exceção pra usa-lo é em séries máximas brutais, que exijam muito do core todo, que aí com pressão intra-abdominal ele vai proteger as vértebras, mas de resto não use. Só vai ficar com um core forte se fortalece-lo sem cinto, e pra isso é necessário uma boa técnica e progressão em exercícios básicos, como ja foi dito.

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É Hora de se Firmar, Caras.

por Jamie Lewis, o original está aqui.

Tradução por Daniel Castro.

Há poucos argumentos a serem dados, em minha opinião, contra a ideia de que a humanidade involuiu desde o advento da agricultura, e ainda mais com a adoção do cristianismo pela vasta maioria do mundo. Nos últimos cem anos, avanços foram feitos na saúde humana, e a estatura e a longevidade da raça humana como um todo melhoraram bastante acentuadamente. Isso dificilmente é algo para se comemorar, porém, já que a saúde da humanidade tinha estado em constante declínio desde o abandono da caça e coleta, e então teve seu pool genético continuamente diluído e sistematicamente destruído pela ética cristã da misericórdia, que permitiu que os geneticamente inadequados propagassem suas linhas genéticas por milênios (Infanticide). Não se engane, ao classificar certas pessoas como “geneticamente inúteis”, não estou de forma alguma referindo-me à sua raça, credo ou sexo, mas sim à “misericórdia” inerente a permitir que crianças que no passado seriam deixadas para cães selvagens ao invés disto vagassem pela sociedade, aumentando a prevalência de retardo mental e físico e todo tipo de doença mental que se pudesse encontrar (Infanticide 2). Como se isso não fosse suficiente dano a nossos descendentes, o problema da degeneração física e mental consistente foi exacerbado pela adoção de uma dieta totalmente inadequada para a humanidade, de origem agrícola (NT.: ie, grãos), em vez da dieta com bastante carne e salada de nossos antepassados ​​paleolíticos.

Este gráfico é im pouco estranho dado a crença predominante de que Cro-Magnons tinham características caucasóides, mas o restante é preciso. (NT.: O cérebro humano diminuiu 10% nos últimos 9.000 anos)

De acordo com arqueólogos, restos de esqueletos demonstram que os humanos paleolíticos desenvolveram musculatura e força “ainda maiores do que os atletas de elite atuais” – na era paleolítica, a humanidade lembrava atletas profissionais, tão em forma, elegantes e musculosos quanto imaginável, e capazes de feitos tão impressionantes quanto matar megafauna com nada mais do que uma vara afiada (Starr). Eles dificilmente eram os filhos de puta encurvados, doentes e sujos que os arqueólogos de outrora gostariam que você achasse que eram. Em vez disso, eram muito musculosos, com muitas tatuagens, comedores de carne fodões que eram em média maiores do que o homem moderno. Sim. Maiores (Ungar). Além disso, os arqueólogos acreditam que o fato de a pessoa paleolítica média viver apenas 35 anos foi devido à “combinação de estresses de nomadismo, clima e guerra. (NT.: e devido à alta mortalidade infantil. Ver aqui e aqui.)  Este último fator é especialmente claro na população de Jebel Sahaba, onde machucados causados por projéteis eram comuns em ossos e “quase metade da população provavelmente morreu violentamente”. Nos anos milhares de anos subseqüentes, a expectativa de vida média só aumentou cerca de 5 anos, até o advento da medicina moderna, quando então ela dobrou (Ibid).

 

Você mataria este animal com um graveto?

Nem toda a moleza e a ridicularidade do humano moderno podem ser atribuídas à dieta e à religião, no entanto, como é bastante óbvio hoje em dia que a mera preguiça do humano moderno não deve ser subestimada. Todos nós já ouvimos nossos vovôs nos dizerem o quanto as pessoas eram mais duronas na época deles – lembro-me de ter o vovô insano, com apenas um olho, de um colega de quarto da faculdade relatando a seguinte história:

 “Eu vivia em uma FAZENDA. Você sabe o que é uma fazenda, hein garoto?! Bem, era na época da Grande Depressão, e nós tinhamos um monte de vagabundos preguiçosos pendurados no lugar – dormindo nos campos e EMPURRANDO O MILHO PARA BAIXO! POR QUE ALGUÉM DORMIRIA EM CIMA DE TALOS DE MILHO? [Neste momento, eu estava lentamente me afastando do homem, já que ele estava praticamente espumando pela boca, e ele estava gritando para mim de uma distância de cerca de 10 centímetros, nariz a nariz comigo] Então, esse cara, um verdadeiro fodão, diz-me para eu ir f **er minha mãe quando eu disse a ele para sair da propriedade. Eu saí do caminhão e chutei sua bunda. Eu tinha 19 ou 20 anos, e eu não deixaria que um mendigo qualquer falasse dessa maneira sobre minha mãe. Então, eu chutei sua bunda, e ele ficou deitado lá, choramingando e chorando na poeira, então quando eu o peguei para jogá-lo na carroceria de minha caminhonete, ele rolou para o lado e enfiou um saca rolhas no maldito olho. COM UM SACA-ROLHAS. [Ele enfatizou esse ponto, apontando para o tapa olhos de pirata em seu olho esquerdo.] Assustado, eu perguntei o que ele fez em seguida.] O QUE VOCÊ PENSA QUE EU FIZ, MENINO? EU APUNHALEI O BASTARDO NA GARGANTA COM O SACA ROLHAS. Depois, fui até o hospital, onde me deram um curativo, uma aspirina e um pouco de sulfa. Era assim que fazíamos nos VELHOS TEMPOS. Vocês são molengas!

Para resumir, o homem arrancou o próprio olho e esfaqueou um homem até a morte, a quem mais tarde descobri que eles enterraram nos campos, junto com o saca rolhas que acabara de ser incorporado em seu rosto. Eu não dou a mínima para quem você é, ISSO é a essência da brutalidade.

Este não foi um incidente isolado. Somos realmente mais molengas do que as gerações anteriores. Aqui estão alguns outros feitos impressionantes do passado:

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Sobre Crocodilos e Simo Häyhä

por Daniel Castro.

O crocodilo de água salgada é o maior réptil do mundo. Os crocodilos de água salgada e do Nilo são os mais perigosos, matando centenas de pessoas por ano. O crocodilo vive nas regiões tropicais da África, Ásia, Américas e Austrália em rios e lagos lentos. Ele come uma grande variedade de animais, vivos e mortos. Seus olhos, ouvidos e narinas estão localizados no alto da cabeça, o que permite que um crocodilo veja e ouça a sua presa. Ela varia de 1,5 a 6 metros de comprimento.

O crocodilo de água salgada é poderoso e rápido, e suas mandíbulas podem aplicar 2 milhões de quilograma força por metro quadrado. Crocodilos matam mais de 800 pessoas a cada ano.

Kroc

Os soviéticos pretendiam invadir a Finlândia e a 6ª Companhia, onde Simo Häyhä servia, tinha a obrigação de impedir o acesso na região do Rio Kolla. A razão de soldados chegou a 32 finlandeses para 4.000 soviéticos.

A temperatura girava entre -40°C e -20°C.  Um ambiente muito hostil para um novo Sniper efetuar seus disparos com precisão.

Vestindo sua camuflagem branca e portando um Rifle Mosin-Nagant M91, Simo Häyhä escondia-se na neve e abatia todos os soldados soviéticos que estivessem ao alcance.  Hayha não tinha nenhuma luneta acoplada ao seu rifle, para priorizar sua discrição. Além disso, o atirador colocava neve na boca para evitar que o vapor da respiração o denunciasse.

Em 100 dias de atividade Simo Häyhä abatou aproximadamente 500 soviéticos. Uma razão de 5 mortes por dia, que rendeu a ele o apelido de“White Death” (Morte Branca).

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(NA.: Os links levam às fontes das citações acima)

707 a 0? Um civil apenas matou 707 soldados do exército soviético. Como isto pode acontecer? Bem, parte da explicação está, surpreendentemente num livro sobre investimentos, a saber, The Dao of Capital de Mark Spitznagel. (por coincidência eu já tinha criado o rascunho deste post antes de ler a parte relevante do livro citado).  O exército finlandês (e os civis como Häyhä que defenderam o país) na chamada Guerra do Inverno era muito menor e menos equipado que o colossal exército soviético, mas tinha outras vantagens, como maior conhecimento do terreno, táticas de guerrilha, e maior flexibilidade (os soldados soviéticos eram proibidos de recuar). Eu imagino que o orgulho e a vontade de defender sua terra natal contra invasores também deve ter dado uma motivação extra aos finlandeses defensores, que conseguiram derrotar o muito superior exército adversário.

E de todos os defensores, o Morte Branca foi o mais famoso e impressionante, conforme pode ser imaginado ao lermos a citação acima. Mas somente com as características que citei acima, mesmo maior sniper de todos os tempos dificilmente sairia vivo e ainda mataria de 500 a 700 inimigos. Simo usava uma camuflagem branca, o que aliado à distância o tornava invisível para seus inimigos. É principalmente por isto, creio eu, que ele se tornou tão mortífero. 

E quanto aos crocodilos? Bem, creio que não sejam animais, exatamente sutis. Sua gigantesca boca, dentes e olhar assassino deixam bem claro o perigo que ele representa. Todos os crocodilos do mundo matam 800 pessoas por ano, enquanto apenas Simo matou cerca de 700 em um terço do tempo. E 700 armados. Novamente, atribuo essa discrepância à percepção de perigo (ou efeito Peltzman). Quando você está ciente do risco (um crocodilo ameaçador) você toma o máximo de cuidado, e quando não (ou quando não consegue identificar onde ele está situado) você relaxa. E é aí que mora o perigo. (Um exemplo prático do efeito Pelztman é quando, por exemplo, se usa cinto de segurança ou protetores solares, e a sensação de segurança leva a uma condução mais imprudente e a um exagero na exposição ao sol, respectivamente).

O corolário que quero tirar do exposto acima é: um perigo relativamente menor pode se tornar maior se você não estiver ciente dele. 

E agora você me pergunta: “O que um sniper finlandês e um réptil gigante tem a ver com saúde? Não sou um soldado russo nem moro nas margens do Nilo”.

Bem, este não é sobre Simo Häyhä ou crocodilos. É sobre duas drogas perigosas. A partir de agora, vou conectar a explicação sobre a percepção de risco com tais drogas, como isso influencia nossa saúde, e utilizarei algumas fortes imagens. Leitores com maior sensibilidade estão aconselhados a não prosseguir a leitura.

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Estrada da Fúria – Treinando para Lutar do Pré-Histórico até o Presente, parte 2

por Jamie Lewis, o original está aqui.

Tradução por Daniel Castro.

Ao mesmo tempo, um estilo de luta híbrido chamado catch-as-catch-can (NT.: Algo como pegue-como-puder-pegar) surgiu na Inglaterra, e que espelhava a brutalidade do rough-and-tumble. O estilo de luta de Lancashire, há muito renomado por ser o lar dos mineradores mais brutos e psicóticos a leste dos Apalaches, começou a atravessar o Atlântico no final do século XIX, e isto combinado com as técnicas da galera do rough-and-tumble, o estilo “derrubando e chutando” dos escravos libertos americanos, o estilo de Devonshire anteriormente mencionado, o backhold escocês, a luta Greco-Romana (luta livre francesa com as mão abertas), o jiu jitsu japonês, e a kampfringen alemã se tornaram a luta livre americana (catch wrestling). Porque ela combinava elementos de golpes e agarrões de basicamente todos os estilos usados internacionalmente, a luta livre americana era basicamente um ancestral hiperbrutal das artes marciais mistas, ou MMA. Até que Muldoon se aposentasse, porém, tais lutadores não eram considerados os melhores do mundo, pois Muldoon havia derrotado todos, desde William Miller, campeão australiano de boxe, luta-livre, esgrima e levantamento de peso, até o superatleta, strongman, e fodão mais enorme da história Donald Dinnie, até os melhores homens de colarinho-e-cotovelo do planeta, além dos homens mais fodas que a luta-livre americana podia arremessar nele.

“Ah, meu estilo? É chamado enorme para caralho, e vai te rasgar todo”

Se você está imaginando como um cara que era geralmente não familiarizado com um estilo que mais parecia com as atitudes de um chimpanzé raivoso do que com as técnicas mais sérias da luta Greco-Romana, você não precisa- os caras que usavam o estilo grego eram ridiculamente fortes, e do campeonato mundial de Muldoon em 1880 até a derrota de George Hackenschmidt para Frank Gotch em 1908 sua força era o que ganhava o dia dentro dos ringues. Superestrelas da luta americana com Ed “o Estrangulador” Lewis perderam para o Grande Gama devido à força atropelante deste, e Zbysko derrotou o Dr. Benjamin Roller, outro reconhecido lutador americano. Ao invés de Muldoon ou Hack, porém, foi uma luta entre o padrinho do fisiculturismo moderno e extraordinário strongman, Eugen Sandow, e o notório quebrador de dedos, punhos e braços chamado Sebastian Muller que jogou luz em como estes strongmen dominaram seus ultraviolentos adversário- ele literalmente destruiu fisicamente o homem.

Em sua luta contra Sandow, enfurecido após Muller enterrar seus dedos nos antebraços de Sandow para causar danos aos nervos (e diversas tentaticas de quebrar os dedos e punhos deste), ele pegou Muller num abraço de urso e o arrebentou como um manequim cheio de sangue atropelado por um rolo compressor em Potência Máxima. Sandow quebrou quatro costelas de Muller e este vomitou sangue no ringue todo, quando Sandow largou o quase cadáver no tatame e declarou a vitória. Aparentemente os lutadores livres aprenderam este truque, porém, e em 1908 a era dos strongmen e seu afeminado estilo grego acabou.

A chave para o estilo de luta de Gotch parece ser o controle de dedões, uma vez, que todas as fotos dele lutando envolve um pretzel humano tendo seu dedão sendo arrancado pelo aparentemente entendiado Gotch.

Os lutadores desenvolveram estilo notavelmente científicos para treinar seu estilo, especialmente considerando as raízes brutais e perigosas do esporte. Inúmeros livros foram escritos sobre o assunto (que provavelmente eram vendidos com o garoto bobo levando areia na cara, no estilo das propagandas que Charles Atlas depois usaria para vender seus programas isométricos). Eles todos parecem concordar, porém, que há “quatro requisitos para um lutador livre manter seu título por anos sem ter seus ombros pregados contra o tatame: Força, resistência, velocidade e habilidade” (Robbins 3), o que parece óbvio mas talvez fosse contestados pela maioria dos Gracies, que parecem pensar que uma quantidade enorme de habilidade e a capacidade de entendiar o público até depois da morte são suficientes.

Embora ele fosse menor e menos poderoso do que caras como Stanislaus Zbysko (1,73 m e 104 kg) e George Hackenschmidt (1,76 m e 99kg), Frank Gotch era capaz de destruir ambos com velocidade superior, força surpreendente, e a vontade de aleijar seus adversários.

Claramente, a parte de habilidade foi coberta pela prática de imobilizações e lutas de treino, das quais Gotch fez uma quantidade tremenda e das quais você pode encontrar amplas instruções nos livros disponíveis em toda a internet sobre luta livre americana (catch wrestling). Para força e condicionamento, Frank Gotch com seus 1,81 m e 89 kg se saiu surpreendentemente bem com pouco treino com pesos e treinou como os pehlwani fazem, com muita ênfase em exercícios com o peso do corpo. Seu treino favorito usava um baralho de cartas para determinar as repetições numa dada série, do seguinte modo:

Primeiro, embaralhe um baralho cheio (com coringas inclusive). Cartas negras significam agachamentos e vermelhas significam flexões.

Cada vez que você tira uma carta negra, você faz o dobro de repetições do seu valor de face. Isto significa, se você tira um 8 negro, você faz 16 agachamentos. E se tirar um Ás negro, 22.

Espadas são agachamentos comuns, paus são agachamentos com pulos. O primeiro coringa significa que você fará 40 agachamentos comuns consecutivamente.

Toda vez que você tira uma carta vermelha, você faz flexões. Desta vez você faz uma quantidade equivalente ao valor da cara. Se você tirar um 8 vermelho, você faz 8 flexões. Um ás vermelho, 11.

Ouros são flexões comuns, copas são flexões meia lua. O segundo coringa que você tirar significa 20 flexões consecutivas.

Termine com uma ponte de luta livre durante 3 minmutos com a melhor forma possível (Gotch’s Bible).

Farmer Burns- fodão e possuidor de um dos piores apelidos da história.

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Pão (e Outros Carbos) não Engordam

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