A Grande Mentira

por Michael Eades, o original está aqui.

Tradução por Daniel Castro.

Se você contar uma mentira grande o suficiente e continuar repetindo-a, as pessoas eventualmente irão acreditar nela.*

Joseph Goebbels (à esquerda)
Ministro Nazista de Propaganda

A história de nossa raça, e de cada experiência individual, são bem costuradas com a evidência de que uma verdade não é difícil de matar, e que uma mentira bem contada é imortal.

Mark Twain, Advice to Youth

Eu sempre amei as duas citações acima por que seus sentimentos são tão precisos. É triste mas é verdade que quanto maior a mentira, mais pessoas se dispõem a aceitá-las sem questionamento.  E quanto mais pessoas aceitarem a mentira, mais fácil fica persuadir outros a se juntar à crescente multidão. Deste modo uma grande mentira se torna uma bola de neve até se tornar uma grande ‘verdade.’

Nutricionalmente eu não consigo pensar numa mentira maior que aquela que alega que gorduras em geral e gorduras saturadas em particular são ruins para nós. Esta mentira está tão arraigada nas mentes da maioria que você não poderia arrancá-la com uma banana de dinamite. Especialmente nas mentes dos acadêmicos, e mais ainda nas mentes dos nutricionistas. Nem de todos, mas da maioria. Nutricionalmente, está é verdadeiramente a Grande Mentira.

Apesar do fato que eles se agarram tenazmente à Grande Mentira, as evidências a disputam. Mas, “uma mentira bem contada é imortal.”  Em Whole Health Source Stephen Guyenet escreveu recentemente um artigo verificando dados observacionais sobre gordura saturada e níveis de colesterol e doenças cardíacas. A maioria dos devotos da Grande Mentira se preocupam obsessivamente com a ingestão de gordura saturada enquanto os dados observacionais demonstram pouco, ou nenhuma, correlação. Alguns anos atrás, eu escrevi um grande texto sobre a invalidade de estudos observacionais como prova de praticamente qualquer coisa, mas naquele texto eu não mencionei que embora tais estudos não possam demonstrar que correlação implica causalidade, eles provavelmente são válidos em demonstrar o oposto: se não há correlação, provavelmente não bases para se argumentar pela causalidade. Então, se não há muita correlação entre a ingestão de gordura saturada e níveis elevados de colesterol e/ou doença cardíaca, é duvidoso que a ingestão de gordura saturada seja causal [NT.: isto é, que ela cause doenças cardíacas].

Eu recentemente tropecei num artigo – um editorial de pesquisa, para ser correto – no Journal of the American Dietetic Association (JADA) que, se eu já não tivesse uma relação estreita com Jameson, me levaria a beber. De fato ele provavelmente me levou a beber um pouco a mais. Agora o JADA é o jornal editado e escrito por nutricionistas registrados, e, como consequência, tem um estilo de Pesquisa e Desenvolvimento de produtos em termos de conteúdo. Ele geralmente segue a linha low fat, high carb, mas de vez em quando publica alguns artigos sobre aspectos da dieta low carb. O artigo particular que causou minha ardência no coração é intitulado Low-Glycemic Load Diets: How Does the Evidence for Prevention of Disease Measure Up?

O artigo me incomodo em muitos níveis, o primeiro dos quais é que ele cita o índice glicêmico (IG) e carga glicêmica (CG). Eu já escrevi previamente sobre porque eu não acredito que o índice glicêmico seja um modo particularmente válido de caracterizar carboidratos. E eu não creio que o conceito de carga glicêmica seja muito melhor. O que está errado em simplesmente contar carboidratos? Isto provê mais benefícios e não encoraja o consumo de frutose, um açúcar perigoso com um baixo índice glicêmico.  O motivo pelo qual o índice glicêmico e a carga glicêmica foram tão adotados pela comunidade acadêmica é porque ela não pode admitir que uma dieta low carb é simplesmente superior para perda de peso, controle de lipídios, redução da pressão arterial, estabilização da glicose no sangue, melhoras de problemas de refluxo estomacal etc. do que sua amada dieta low fat. Então ao invés de terem caráter e admitirem que estavam errados pelos últimos 40 anos, eles embrulham a venerável dieta low carb em baboseiras que soam acadêmicas e a chamam de dieta da carga glicêmica e esperam que ninguém perceba o subterfúgio.

É perfeitamente aceitável conversar sobre benefícios à saúde de dietas com pouca carga glicêmica sem ter ninguém dizendo que você vai ferrar seus rins. Ou que você poderá perder peso, mas vai entupir as suas artérias. Não, a dieta da baixa carga glicêmica é perfeitamente inócua em qualquer companhia. Nenhum acadêmico pomposo vai ter encher o saco se você usar a palavra “glicêmico(a)”. Tente usar o termo ‘low-carb’ nos salões acadêmicos, porém, e você poderá receber alguns olhares hostis.

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A Importância dos Bons Hábitos Cotidianos (NSFW)

por Héracles

Você aí, já parou para pensar no quanto a sua vida está andando para frente ou para trás nesse exato momento? Já pensou na sua rotina, em quanto isso está te levando a algum lugar, te fazendo evoluir como pessoa, ou talvez o quanto essa rotina esteja fazendo exatamente o contrário disso? Quando pensamos nos bons exemplos de pessoas que andaram por aí no mundo fazendo coisas importantes, nem sempre, ou quase nunca, consideramos o quão fundamentais esses pequenos hábitos cotidianos, feito dias a após dia impactaram na realização de grandes coisas, que normalmente julgamos como “feitos aleatórios” ou “golpes de sorte”. Isso também nos leva a um outro aspecto importante do desenvolvimento humano num sentido bastante amplo, naquilo que antigamente chamávamos de “ganho ao direito de nobreza”, termo ou qualidade essa difícil de categorizar e definir em palavras ou mesmo com exemplos nos dias de hoje. Bem, ao longo desse texto tentarei me fazer mais objetivo e já aviso de antemão aos politicamente corretos, afeminados, aos frágeis, sentimentais e facilmente injuriados que nem percam tempo lendo o resto, se poupem do constrangimento.

Sangue nobre não é feito com mágica, ou com horarias sociais sem sentido, mas com tempo, dor, sofrimento, disciplina e coragem!

Nos tempos imemoriais, no início de qualquer civilização, a nobreza ou o que hoje chamamos de “elite”, sempre foi composta por uma singela parte da sociedade ao qual estavam inseridos, por homens (Männerbund) que segundo as lendas, tinham descendência dos próprios deuses olímpicos ou qualquer outra designação que possam ter recebidos em culturas diferentes. Eram seres especiais, que com toda certeza, não se misturavam com a ralé, ou seja, as pessoas inúteis e fracas, tanto espiritualmente quanto mentalmente. Ser da elite nesse inicio não era sinônimo de ter grandes posses materiais (dinheiro) mas sim de ter demostrado grande coragem, criatividade, descoberto coisas novas, de ter algum talento incrível e ter feito algo extraordinário pela comunidade, ou mesmo apenas pela própria família/clã. Estes homens tinham a honra de serem considerados por todos possuidores de um sangue melhor, e todos os seus descendentes também teriam essa honra.

Por esses feitos, estes homens nobres tinham mais direitos de posses que os demais da comunidade (seja posse material ou de mulheres) e assim, construiriam seus legados, tendo muitos filhos que carregariam seus sobrenomes e a vontade de vencer e dominar, com terras para cultivar e o desejo interno de descobrir e conquistar muitos outros lugares. Ou seja, o sangue nobre na antiguidade era CONQUISTADO e não apenas herdado, uma vez que mesmo esses filhos de um grande cara do passado, (que tinham um sobrenome de peso) mesmo esses, tinham que provar o seu valor, normalmente em batalhas, justamente para manter e reafirmar a nobreza desse nome. Sem essas provações, esse sangue deixaria de ser tão valoroso e perderia sua nobreza nas próximas gerações. A cobrança e a responsabilidade destes era ainda maior que a de qualquer outro homem naquela época. Sangue nobre era uma virtude adquirida com muito suor e sacrifícios pessoais em vários sentidos.

Com a passagem dos séculos, a gradual complexidade e acúmulo de riquezas da sociedade humana como um todo, provas de valor foram deixando de ser necessárias, pois a sobrevivência se tornou algo mais simples e ser da “nobreza” (agora entre aspas) seria simplesmente quem tinha herdado um sobrenome famoso, e não precisaria provar nada por esse título. Normalmente pelos feitos passados, essas famílias já acumulavam grande quantia de bens e dinheiro, que é o única coisa que importa no nosso mundo atual e que acabou sendo anexado ao sentido de “nobre”. Lógico que com essa constituição dos fatos diferente de antigamente não era/é difícil pessoas de merda, que não passam de um peso na terra terem a honra de serem consideradas“elite”, uma vez que elite é simplesmente possuir bens materiais, ou alguma fama estúpida.

Leia mais aqui: http://complexoherculeo.blogspot.com/2018/08/a-importancia-dos-bons-habitos.html

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4 Outras Comidas Além da Soja que Podem Abaixar sua Testosterona

por Larsen Halleck, o original está aqui.

Tradução por Daniel Castro.

Algum tempo atrás, eu discuti a soja, seus subprodutos e como essa leguminosa tem efeitos negativos e estrogenizantes no físico masculino. Naturalmente, nada mudou nesse meio tempo: a soja ainda é estigmatizada com bons motivos pelos homens.

Tendo isso dito, vamos deixar algo perfeitamente claro: a soja não é a única comida que pode erodir seu vigor masculino- longe disso! Conforme você provavelmente imaginou, este artigo falará sobre quatro comidas estrogenizantes além da odiada soja, e porque você deveria evitá-las.

1. Cerveja

“Cerveja?!” você pode perguntar. Sim, cerveja, de todas as coisas, comprovadamente é estrogenizante. Mais especificamente, nem todas as cervejas, mas alguns tipos de cerveja—aquelas fermentadas com lúpulo, o que significa a esmagadora maioria das cervejas encontradas no mercado.

Claro, a cerveja é engordante, daí vem o termo “barriga de chopp”, mas os problemas vão além disso. O lúpulo contém fitoestrogênios, que são encontrados em (você adivinhou) na soja também! Se isso não fosse ruim o suficiente, ela pode concomitantemente abaixar sua testosterona também.

Este efeito pode ser amenizado se você beber cerveja sem lúpulo- extrato de malte, frutas, milho, as permutações do álcool são muitas, e se você quiser tomar uma bebida alcoólica provavelmente conseguirá achar algo sem lúpulo.

“Mas cerveja é coisa de homem!” Alguns que se recusam a controlar o tanto que bebem estão provavelmente dizendo isso agora. Quem disse? A mídia, é claro! A mesma mídia que está fazendo tudo em seu poder para denegrir a masculinidade 90% do tempo. Somente eu acho isso algo suspeito?

2. Açúcar Processado

Na verdade, qualquer tipo de dieta high carb é estrogênica, mas o açúcar a pior. De fato, de acordo com algumas pesquisas, comer sacarose e frutose em excesso pode causar um efeito epigenético de disfunção da regulação dos hormônios sexuais.

Naturalmente, este efeito ocorre se você come xarope de milho com alto teor de frutose ou açúcar, mas eu especifico “açúcar processado” por conta de sua proeminência na dieta moderna. Você já deveria estar evitando comidas ricas em açúcar somente para evitar ter um corpo rotundo, mas esta é só mais uma razão para esta proibição.

E, modo de dizer, o que é a cerveja acima se não carboidrato líquido? O veredito é: evite o consumo de carboidrato em excesso!

3. Linho

“O que diabos é linho?” a maioria de vocês está provavelmente perguntando. “Como você come a coisa que fazem tecidos com ela?” os com um pouco mais de conhecimento podem questionar. Pode surpreendê-lo mas o linho (ou mais precisamente sua semente, a linhaça) é encontrado numa quantidade razoável de comidas- incluindo pães integrais e cereais. E para ser claro, ele não é tão ruim: são a única fonte vegetal predominante de ácidos graxos ômega 3 benéficos ao sistema nervoso central. Porém, isto vem com problemas na forma de lignanas, um composto químico com propriedades estrogênicas.

(NT.: mesmo o ALA. ômega 3 encontrado na linhaça, não é tão benéfico, como disse J Stanton: Óleo de linhaça (ALA) não é um substituto aceitável. Nossos corpos são muito ineficientes (menos de 1%) em convertê-lo para o DHA de que precisamos. Além disto, ele é polidor de móveis, e polidores de móveis não são comida.”)

O linho parece ser a comida menos perigosa desta lista, então se precisar de um pouco de ácidos graxos ômega 3, uma pequena quantidade de linhaça ou óleo de linhaça não será tão ruim.

4. Produtos Animais Processados

Enquanto eu já disse repetidamente que produtos de origem animais são algumas das melhores coisa que você pode comer— e mantenho essa posição— eu devo fazer uma clara distinção entre produtos animais saudáveis e não saudáveis.

Os veganos têm um ponto sobre uma coisa: fazendas industriais e processos similares não são bons para ninguém. Não apenas elas são anormalmente cruéis para os animais, a grande quantidade de hormônios e outros químicos que eles dão aos animais enquanto estão vivos (para conseguir mais carne, leite e ovos) não são bons para sua saúde. E nem os conservantes que você irá encontrar em diversas carnes processadas.

Diga o que quiser sobre a União Europeia, eles podem ter um bom argumento para banir as importações de carne e leite americanos— e o fato que os EUA tem um nível de obesidade muito mais alto também ilustra este fato.

A pior parte de tudo isto é que os efeitos estrogênicos provavelmente são os mais leves de todos os efeitos relacionados a hormônios de fazendo industrial: aumento nos índices de câncer, doenças cardíacas, e síndrome metabólica também são associados com tais hormônios para falar de alguns poucos problemas.

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5 Variantes do Levantamento Terra

Por Larsen Halleck, o original está aqui.

Tradução por Daniel Castro.

Todos amamos o levantamento terra, não amamos? Claro que sim, o venerável “rei dos exercícios” e tal.  Eu sempre disse que você pode dizer se algo vale a pena ao olhar para a quantidade de variantes da fórmula básica que existem. Quanto mais, melhor.

Isto vale para exercícios também! Os exercícios fundamentais tem uma grande quantidade de variações enquanto exercícios de isolamento “são sozinhos”— e naturalmente quanto mais um músculo for isolado, menos exercícios irão estimulá-lo.

E por que não haveria uma grande quantidade de variantes para este exercício?

O levantamento terra essencialmente trabalha todos os músculos da parte inferior do corpo, e muitos da parte superior também. Eu disse antes e direi novamente; se você não está fazendo o terra, comece a fazer. Veja em inglês, aqui.

E uma vez que você tenha dominado o terra comum, tente estas variações:

1. Levantamento Terra Romeno

(NT.: Este é um exercício semelhante ao conhecido “stiff”)

Esta é uma variante do terra que trabalha mais os posteriores da coxa do que o terra padrão, porque ele envolve as pernas estando quase que, ou totalmente retas e estendidas.

Para fazê-lo, segure uma barra na altura dos quadris, com as palmas da mão para baixo. Seus ombros devem estar para trás, suas costas travadas e “esvaziadas” (NT.: isto é com uma concavidade, vide a foto acima) e seus joelhos levemente arqueados. Esta será sua posição inicial.

Abaixe a barra movendo sua bunda o mais para trás que você conseguir. Mantenha a barra próxima de seu corpo, sua cabeça olhando para a frente, e seus ombros para trás. Abaixe a barra até ou um pouco abaixo de seus joelhos. Você deve sentir seus posteriores. Qualquer amplitude extra irá colocar tensão em sua coluna e deve ser evitada neste exercício.

Uma vez que você abaixar a barra, o levantamento propriamente dito é feito retornando-se à posição inicial ao empurrar os quadris para frente e ficando ereto.

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O Arquiteto da Imaginação

por Quintus Curtius, o original está aqui.

Tradução por Daniel Castro

O homem foi feito para a ação. Mesmo que ele não saiba disso– especialmente se ele não souber disso– seu ser físico se revolta com longos períodos de inércia indolente, e anseia pela liberação física da disputa violenta. Isto é parte do seu sangue-espírito, seu Ser interior irreconciliável. Ele pode tentar negar isto, e ele pode tentar evitar as consequências desta realidade; mas no final esta simples verdade retorna para encará-lo. Mesmo o bicho preguiça corpulento irá se acender como uma bola de pinball quando levado a discutir tópicos de intenso interesse dele; ele irá pular de sua cadeira, gesticular selvagemente, e segurar firme naquele tópico para o qual todas suas energias são dirigidas. Dentro dele está aquele desejo primordial pela ação, e isto nenhuma quantidade de gordura subcutânea pode suprimir.

Conforme Cícero nos recorda em On Moral Ends:

Então aquele que é mais dotado com aptidão natural e feitos jamais gostaria de viver uma vida em que ele estivesse sem sua habilidade de agir, mesmo que ele fosse capaz de se indulgir nos mais sedutores prazeres. Tais homens preferem se focar em seus afazeres pessoais; se por acaso eles tiverem um espírito mais elevado, eles podem aproveitar a oportunidade para uma posição de comando civil ou militar; ou, ao invés disso, podem dedicar suas energias ao estudo intelectual. O prazer físico é tão distante de seu objetivo que eles aceitarão stress, fardos, e privação de de sono no serviço da melhor parte da natureza do homem, que em nós deve ser considerada divina. Eles sentem prazer na agudez de suas mentes e caráteres, não precisando nem de prazer físico ou de descanso em seus trabalhos. [V.20]

E isso é quase que completamente verdade. No entanto, parece-me que não há maior estímulo ao espírito de ação do que a imaginação humana. É essa centelha divina que põe em movimento as outras sensações e causas corpóreas; e desta faísca são geradas as chamas que cauterizam a alma. A ação pode ser possível na ausência de imaginação, mas nenhuma ação verdadeiramente grande jamais foi realizada sem ela. Nenhuma bota mais digna jamais chutou ao traseiro do homem hesitante. Devemos, então, voltar nossa atenção para aquilo que cultiva e apoia a imaginação.

Ninguém duvida que a imaginação é uma habilidade inata, um talento muito parecido com a capacidade de tocar um instrumento musical, praticar um esporte, falar, escrever ou qualquer outra coisa do tipo. Mas isso não significa que alguém não possa cultivar sua imaginação ou desenvolver quaisquer talentos que a Natureza tenha conferido a ele. Alguns terão mais, e outros terão menos: é assim que a natureza é, e é preciso ser realista sobre o que pode e o que não pode ser feito. Apesar disso, você descobrirá que com trabalho, prática e uma certa quantidade de humildade, um progresso incrível pode ser feito no desenvolvimento da imaginação. Vamos agora tentar descrever alguns princípios gerais sobre como isso pode ser feito.

Cuidado com a Saúde Física.  Nenhuma atividade mental de valor é tomada dentro de um corpo degradado e corrupto. Preguiça, lassidão, e inércia se combinam para desacelerar os reflexos, sugar a virtude masculina, e ossificar a mente. Mente e corpo não são separados, mas essencialmente um só. E se aceitarmos que os feitos da imaginação são uma atividade mental – o que, indubitavelmente, são -, então deve-se concluir que um corpo saudável é um pré-requisito essencial para uma imaginação produtiva. Note que não estou falando aqui daquelas almas infelizes que, embora sem culpa pessoal alguma, perderam a capacidade de funcionar de membros ou órgãos e se tronaram debilitados de alguma forma; ao invés disso, estou falando daqueles que negligenciam sua condição física, permitindo que seus corpos se tornem as latrinas de Hades, ao invés dos templos de Atena. Dieta pobre, nutrição inadequada, falta de exercício e hábitos corporais perniciosos são os verdadeiros culpados aqui. Portanto, antes que o nosso Argo possa zarpar para sua viagem, devemos restaurar nossa condição física para o seu estado adequado, o estado para o qual ela foi planejada pela Natureza.

A Experiência de Viajar. O conhecimento começa com os sentidos. Existe alguém que duvide disso? Um músculo se atrofiará se não for usado. Os sentidos são da mesma maneira. A percepção sensorial deve ser bombardeada com estímulos, da mesma forma que o físico Ernest Rutherford bombardeou suas telas de teste de laboratório com partículas para provar princípios físicos. Uma inundação de estímulos faz maravilhas a esse respeito. Há poucas maneiras melhores de conseguir isso do que a experiência de viajar para lugares desconhecidos. Devemos explorar, cutucar, penetrar e mergulhar no mundo do Desconhecido, e permitir que nossas sensibilidades hesitantes sejam confrontadas com o estranho, o não familiar, e o perigoso.

Isso terá como resultado a abertura de nossa percepção para coisas que previamente considerávamos impossíveis e para idéias antes impensáveis. Todas as viagens são explorações de uma forma ou de outra; os dois conceitos são intercambiáveis. O homem de ação deve literalmente se lançar em arenas desconhecidas e ver como ele responde. E quando eu digo “arena”, eu quero dizer precisamente isto: o mundo é um campo de batalha de sensação e compreensão, onde devemos lutar pela maestria, e tornar nosso, aquilo que até agora estivera além da nossa compreensão. O conhecimento não é para os tímidos.

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Iodo para Hipotireoidismo – Nutriente Crucial ou Toxina Perigosa?

por Chris Kresser, o original está aqui.

tradução por Daniel Castro.

Num artigo anterior eu demonstrei porque, quando usada sozinha, a reposição de hormônios tireodais muitas vezes fracassa. Neste artigo vou explicar porque otimizar sua ingestão de iodo é tão crucial e porque muito pouco ou demais deste nutriente pode ser prejudicial.

Iodo e hipotireoidismo

Deficiência de iodo é a causa mais comum de hipotireoidismo no mundo todo. Uma vez que pesquisadores perceberam isso, as autoridades de saúde pelo mundo começaram a acrescentá-lo ao sal de cozinha.

Esta estratégia foi efetiva em corrigir a deficiência de iodo. Mas teve uma consequência não prevista — e indesejável. Em países onde o iodo foi adicionado ao sal de cozinha, os índices de doença autoimune da tireoide aumentaram. O seguinte é apenas uma amostra de estudos pelo mundo demonstrando tal efeito:

Por que isto acontece? Porque o aumento da ingestão de iodo, especialmente em suplementos, pode aumentar o ataque autoimune à tireoide. O iodo reduz a atividade de uma enzima chamada peroxidase tireoidiana (TPO). A TPO é necessária para a produção apropriada de hormônios tireodais.

Por outro lado, restringir o consumo de iodo pode reverter o hipotireoidismo. Num estudo, 78% de pacientes com a Tireoidite de Hashimoto recuperaram sua função da tireoide somente restringindo o iodo.

Deficiência de selênio e Tireoidite de Hashimoto

Porém— e isto é um grande “porém”—parece que o iodo talvez só cause problemas a pessoas com Hashimoto e outras doenças autoimunes da tireoide concomitantemente a uma deficiência de selênio. Um estudo em ratos descobriu que excesso de iodo só levava ao desenvolvimento de bócio se eles não consumissem selênio adequadamente.

Outros estudos demonstraram que o selênio protege contra os efeitos de intoxicação por iodo e previne o disparo de doenças autoimunes que o excesso deste pode causar.

Em minha prática [médica] eu sempre testo para deficiência de iodo e Hashimoto quando o paciente apresenta sintomas de hipotireoidismo. Se eles estiverem deficientes em iodo, eu começo com testes com iodo e selênio em conjunto. Na maioria dos casos, os pacientes vêem uma melhora significativa. Na minoria, eles não toleram a suplementação de iodo mesmo com ingestão adequada de selênio.

Testando os níveis de iodo

Na maioria de estudos com populações, o iodo é testado usando urina imediata, o que é conveniente e se correlaciona razoavelmente bem com a ingestão recente de iodo. Porém, estudos demonstraram que a urina imediata e mesmo coletas de 24 horas desta tem muita variabilidade devido a variações significativas na ingestão diária de iodo.

Alguns clínicos propoem um teste (iodine challenge urine testing), no qual um paciente toma uma grande dose de iodo, geralmente 50 mg, e coleta urina por 24 horas depois. Isto é baseado na pesquisa demonstrando que 90% do iodo ingerido deve ser excretado na urina quando o paciente tem uma ingestão de iodo suficiente na dieta (1). Porém, estes testes ainda não foram validados até onde eu sei e foram pesadamente criticados por diversos pesquisadores de iodo (2).

Em minha clínica, eu uso uma combinação de três testes:

  • Coletas de 24 horas: para determinar a ingestão recente de iodo
  • Tireoglobulina no sangue: altos níveis indicam baixos níveis de iodo, e níveis acima sugerem deficiência (4)
  • Iodo no cabelo: para determinar a ingestão de iodo ao longo de um período maior (3)

Corrigindo a deficiência de iodo

Se há a suspeita de deficiência de iodo e não há evidência de Hashimoto, a suplementação com doses de 200 a 300 microgramas de iodo é segura e bem tolerada. Porém, eu ainda recomendaria monitorar de perto anticorpos de tireoide e outros indicadores de tireoide. Maiores doses de suplementação com iodo devem ser feitas somente sob supervisão médica.

Se a deficiência de iodo é suspeitada e você tem Hashimoto, ainda pode tentar a suplementação, mas eu começaria com uma dose muito pequena, talvez 100 microgramas, ou simplesmente aumentar a ingestão de comidas que contém iodo, como vegetais marítimos, cabeças de peixe, ou laticínios.

Você também vai querer ter certeza que você está ingerindo selênio o suficiente para se proteger dos efeitos negativos do excesso de iodo. A maior fonte de selênio são as castanhas do pará, mas ele também é encontrado em grandes quantidades em frutos do mar e órgãos.

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O que Bebês Podem nos Ensinar sobre Agachamentos

por Fame Boy.

Tradução por Daniel Castro

(NT.: cheguei a esse texto após uma discussão particular sobre o levantamento terra. De fato, num texto relativamente antigo sobre este último exercício eu coloquei a foto abaixo inapropriadamente. Agora a tradução desse texto traz uma análise interessante sobre a imagem, e decidi retificar o engano com essa breve mas importante discussão sobre biomecânica)

Caso você não tenha visto tal imagem ainda, lá vai:

Então o que podemos aprender com ela?

Não muito na verdade, exceto que diferentes proporções levam a agachamentos diferentes (e levantamentos de pesos em geral). O que a imagem não aponta é que bebês tem pernas relativamente curtas, e troncos longos, o que os torna agachadores naturais. Além disso, suas juntas ainda estão mais “abertas” do que as de adultos. Conforme envelhecemos nossas juntas ficam mais justas – o que não é algo ruim, pois elas ficam mais protegidas contra lesões. Bebês, também não têm um histórico de lesões e desgaste do corpo.

Então, o que ele está tentando me dizer? Proporções são a pedra angular da análise de movimentos. Não espere agachar como um bebê se você tiver um tronco curto e pernas longas (proporções boas para o levantamento terra), e não espere ser bom no levantamento terra, se você tiver pernas curtas e um tronco longo (e talvez braços curtos também). Quase todos os formatos corporais têm vantagens e desvantagens – treine em ambas de um modo inteligente para evitar tentar colocar uma peça quadrada num buraco redondo. O agachamento por exemplo pode ser desafiador para pessoas mais altas e sua forma muitas vezes parecerá estranha.

Lamar Gant provavelmente era horrível em flexões plantando bananeira, mas cara, ele era bom no levantamento terra:

Lamar Gant has long arms

Lamar Grant tinha braços longos

Isso não tem nada a ver com agachamentos em si, mas ilustra o ponto sobre proporções melhor do que qualquer outra foto que já vi.

Somente pesquisar sobre grandes atletas e copiar seus estilo não funcionará para a maioria das pessoas. Ao invés disso analise seu próprio corpo e talvez se movimente de uma forma totalmente diferente do restante do pessoal.

E pelo amor de Deus – parem de postar essas fotos toscas nas redes sociais, ok?

 

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